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Snowden, que divulgou segredo de estado americano quer asilo em França

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Edward Snowden, divulga livro de Memórias e pede asilo a França, fugindo à justiça americana PATRICIA DE MELO MOREIRA / AFP

Em França saiu hoje o livro de Memórias de Edward Snowden, analista americano de sistemas informáticos, que em 2013 publicou documentos classificados sobre a segurança nacional americana e que agora pediu asilo político ao presidente Emmanuel Macron. Snowden reside actualmente na Rússia, mas não quer regressar aos Estados Unidos onde é acusado de roubo de segredos de Estado.


O lançador de alerta e analista de sistemas e redes informáticos americano, Edward Snowden, refugiado na Rússia desde que divulgou documentos classificados dos serviços da segurança nacional americana, gostaria muito que a França lhe concedesse asilo político.

Um desejo que já tinha feito e que volta à actualidade, no dia em que o seu livro de Memórias sai em França e em vários países, inclusivamente, nos Estados Unidos ou Alemanha e o Brasil.

O título da obra em francês é "Mémoire vive", nas edições Seuil, o que numa tradução livre seria Memória viva, uma obra original escrita inteiramente por Snowden.

Em 2013, Edward Snowden, analista na Agência da segurança nacional, NSA, roubou documentos confidenciais e classificados, divulgando-os como lançador de alerta a vários jornais sobre o o sistema de escuta e de espionagem mundial de comunicações e da Internet.

Com problemas com os serviços de segurança nacional e a justiça americana, acusado de espionagem e roubo de segredos de Estado, Snowden, fugiu dos Estados Unidos, passou por vários países até conseguir refúgio na Rússia, onde tem autorização de residência até 2020.

Snowden quer asilo em França para fugir à justiça americana

"Pedi asilo a França em 2013, no tempo do presidente, François Hollande. Evidentemente, gostaria que o Presidente, Macron, me concedesse direito de asilo, declarou à Rádio France Inter". Snowden pediu  asilo a cerca de 20 países, nomeadamente, França e Alemanha, que recusaram por uma razão qualquer.

Mas, na entrevista, Snowden, afirma que não é apenas a França que está em questão, mas o mundo ocidental, o sistema em que vivemos. Não há hostilidade nenhuma na protecção de lançadores de alerta, e acolher alguém como eu, não é atacar os Estados Unidos," sublinha Edward Snowden.

De notar, que até agora, o Presidente Macron, não se pronunciou sobre o pedido de asilo de Snowden. Mas a sua ministra da Justiça, Nicole Belloubet, é favorável, a que a França conceda asilo político a Edward Snowden.

Também no partido do presidente, República em Marcha, a eurodeputada, Nathalie Loiseau, vai no mesmo sentido, elogiando "alguém que prestou um serviço à humanidade, alguém que nos mostrou, com provas, que havia um sistema de espionagem extraordinariamente vasto" dos Estados Unidos.

Um sistema de espionagem contra personalidades mundiais, inclusivamente, chefes de Estado e de governo, como o francês, François Hollande, ou a chanceler alemã, Angela Merkel, na altura, em que o Presidente dos Estados Unidos era Barack Obama. 

Edward Snowden, publica livro de Memórias e pede asilo político a França 18/09/2019 ouvir