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Mais ecologia e justiça social no programa do governo francês

Por João Matos

Política governamental francesa domina as primeiras páginas dos jornais nacionais, após a intervenção de ontem do primeiro-ministro na Assembleia nacional.

Lições do discurso de Philippe, titula, LE MONDE. O primeiro-ministro obteve ontem um amplo voto de confiança na Assembleia nacional. Os próximos 12 meses serão os da aceleração ecológica, afirmou Edouard Philippe. Recebemos a mensagem de desespero fiscal, declarou o chefe do governo clarificando as reduções de impostos previstas. O governo vai pedir aos franceses para trabalharem mais anos sem modificar a idade legal da reforma, acrescenta, LE MONDE.

Acto 1 bis, replica, em título, LIBÉRATION. O Acto II deste mandato de 5 anos que Edouard Philippe devia lançar no seu discurso de política geral apresenta-se mais como uma continuação do primeiro. Lei de bioética, baixas de impostos, urgência ecológica, o primeiro-ministro anunciou medidas numa lógica de união, sem grandes mudanças.

A proposta de lei bioética que inclui a extensão da procriação medicamente assistida a todas as mulheres será analisada na Assembleia nacional em fins de setembro, anunciou ontem Edouard Philippe. Um anúncio que lhe valeu ovação duma parte da Assembleia e com razão porque era esperado há quase um ano. A questão tem sido adiada com muitos temendo que seja enterrada, quando a procriação medicamente assistida fazia parte do programa do candidato Macron, acrescenta, LIBÉRATION.

Philippe dá um tom verde mas mantém orientação da sua política, titula, LE FIGARO. Após o seu discurso de política geral, o primeiro-ministro obteve uma larga confiança dos deputados. A direita deplora a ausência de economias orçamentais. Edouard Philippe exibe uma aceleração ecológica e promete o encerramento de centrais de carvão e anuncia simbolicamente o banimento de produtos de plástico que chegam ao fim do prazo de validade nas administrações, a partir do próximo, nota, LE FIGARO.

Verde e rosa, replica em título, LA CROIX. O primeiro-ministro mantém a sua política imprimindo às reformas uma tonalidade mais ecológica e mais social. No seu editorial, o jornal, sublinha que há que ver nisso a consequência tanto do movimento dos coletes amarelos como do resultado das eleições europeias. Como resposta ao protesto popular há que notar uma insistência na justiça social anunciando, contra o abuso de contratos a prazo, redução da carga fiscal à classe média ou garantia de pensões alimentares, acrescenta, LA CROIX, no seu editorial.

Por seu lado, ainda no nacional, L'HUMANITÉ, preferiu titular sobre Aeroportos de Paris, objectivo 4,7 milhões assinaturas. Uma campanha para obter a organização do referendo de iniciativa partilhada. Um abaixo-assinado que necessita de 5 milhões de assinaturas para a consulta cidadã sobre a privatização de Aeroportos de Paris, com slogans de comunistas segundo os quais privatização é roubo. Os argumentos para convencer os cidadãos serão determinantes para realizar o referendo, acrescenta, L'HUMANITÉ.

Mudando de assunto, no internacional, LE MONDE, destaca, a revolta da juventude em Hong Kong, onde a polícia reprimiu violentamente manifestantes contra o projecto de extradições para China continental. Para lá do controverso projecto de lei, a mobilização dos jovens de Hong Kong ilustra bem o medo de ter de renunciar à sua democracia e autonomia. São sinais duma crise existencial sob o jugo de Pequim, acrescenta, o vespertino.

Por seu lado, LE FIGARO, dá relevo a Trump e Biden que tentam impor o seu duelo para 2020. Ontem o presidente republicano e o ex-vice-presidente democrata estiveram em Iowa e lançaram picardias um ao outro. Trump, começou mesmo no Twitter escrevendo preferir defrontar nas próximas eleições, Joe Biden, porque ele é fraco mentalmente e alguém que nunca conseguiu obter mais do que 1% nas eleições.

Consciente de que o insulto é a marca de Trump, Joe Biden, previu os ataques do presidente e publicou extractos de um dos seus discursos qualificando Trump de presidente que representa uma ameaça para a América, que ameaça os nossos valores e é uma real ameaça para a democracia americana, sublinha LE FIGARO.

Enfim, sobre a África, LE MONDE, destaca Argélia, onde o antigo primeiro ministro, Ahmed Ouyahia foi detido por corrupção. Convocado ontem por um juiz do Supremo Tribunal, Ouyahia, o homem forte das políticas de austeridade de Bouteflika saiu numa camioneta da polícia directamente para a prisão de El-Harrach, onde estão presos vários homens de negócios acusados de corrupção. É a primeira vez que um antigo primeiro-ministro é suspeito de acusações de corrupção e incorre penas que vão até aos 20 de prisão, acrescenta, LE MONDE.