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Golpe militar contra ditador do Sudão e incertezas sobre futuro

Por João Matos

As primeiras páginas dos jornais franceses estão dominadas pelo golpe militar contra o presidente ditador, Al-Bashir. 

LE MONDE, titula, Sudão: exército confisca a revolta contra Bashir. Após o golpe de Estado que depos o presidente Omar Al Bashir ontem, um conselho militar dirigido  pelo general Ibn Auf reivindica o poder. O antigo ministro da Defesa de Bashir e pilar do aparelho repressivo do país anunciou abrir um período de transição de dois anos.

A população, que manifesta há mais de 100 dias e os partidos de oposição receiam uma vontade de amordaçar a ira e salvar o regime. Omar Al Bashir, dirigiu o Sudão durante 30 anos e terá sido a figura de proa do islamo-militarismo, acrescenta, LE MONDE.

No Sudão, o exército provoca a queda de Omar Al Bashir, replica, LA CROIX. “Estou muito, muito contente. Que alívio ! Esperávamos por um tal acontecimento há muito tempo. Ver para crer. Os militares devem falar à nação. Mas quem substituirá Al Bashir ? Temos que avançar depressa, porque o povo tem fome num país potencialmente rico”, são algumas das reacções do homem da rua, ao golpe militar. O certo é que foram 30 anos de um poder sangrento, sublinha, LA CROIX.

Argélia, Sudão, Primavera árabe, segunda temporada, titula, por sua vez, LIBÉRATION. Depois de Bouteflika é o ditador sudanês Al Bashir, que deixa o poder sob pressão popular. Mas o exército continua a dirigir o país. Bouteflika e Al Bashir, são apenas a ponta do iceberg, afirma, porém, o professor de relações internacionais e política, Gilbert Achcar, que teme que as duas transições  tenham o desfecho que tiveram o Egipto e a Líbia, acrescenta, LIBÉRATION.

Por seu lado, LE FIGARO, dá relevo à Líbia e o marechal Haftar, o homem que quer conquistar a capital Tripoli.

Mudando de assunto,  por cá, LE FIGARO, titula, privatização dos Aeroportos de Paris vira um quebra cabeças político. A lei autorizando a venda pelo Estado dos aeroportos parisienses foi ontem votada. Mas esta operação, que suscita uma forte oposição tanto à direita como à esquerda, apresenta-se muito sensível.

Facto inédito, 248 parlamentares da esquerda e da direita estão unidos para lançar um pedido de referendo de iniciativa partilhada contra a venda dos Aeroportos de Paris. Mesmo sabendo ser quase impossível mas vai servir para parasitar politicamente esta privatização  que provavelmente só acontecerá dentro de 18 meses, nota LE FIGARO.

Luto e o tempo necessário, titula, LA CROIX, para se referir ao debate que começou hoje no Senado. 53% por cento dos franceses acreditam que o luto não tem fim, 26% considera que um dia terminará e 20% abstêm-se. O mais certo é que o  luto dura no tempo, um luto que significa dor, sem que se sofra toda a sua vida,  acrescenta, LA CROIX

No internacional, L’HUMANITÉ, titula, como a União Europeia entra pela sua porta dentro. As decisões autoritárias de austeridade da União tornam a vida das pessoas num inferno com consequências inimagináveis.

Poder de compra não compagina com os magros salários, alimentação é perigo do salmão transgénico ou carne de vaca com hormonas, tudo ao serviço do comércio livre, partir para a reforma cada vez mais longíncua, enfim, serviços públicos como escolas e maternidades em perigo, acrescenta, L’HUMANITÉ.

Brexit na cabeça dos britânicos, merece relevo do vespertino LE MONDE. O prazo concedido pela União Europeia ao Reino Unidos prolonga uma increteza mas também uma forma de introspecção colectiva do outro lado da Mancha. Os intelectuais vêm por trás do eurocepticismo o mito duma identidade insular secular, nota LE MONDE.

Enfim o mesmo vespertino, refere-se a Wikileaks, Julian Assange foi preso, após 7 anos de asilo na embaixada do Equador em Londres. A sua prisão relança um debate jurídico internacional. O australiano que se aproximou da Rússia é um pirata, como afirma a justiça americana ou é sancionado por um trabalho de investigação jornalística ? pergunta, LE MONDE.