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Tensões entre clã de Bouteflika, exército e secreta na Argélia

Por João Matos

As primeiras páginas dos jornais franceses estão dominadas por reacções à demissão do presidente da Argélia, Bouteflika e por questões sociais em França. 

LE FIGARO, titula, a batalha do pós-Bouteflika. Um dia depois da demissão do presidente argelino, as tensões entre o seu clã, o exército e os serviços secretos tornam a transição ainda muito incerta. Na hora da mudança, o jornal nota, no seu editorial, que em Argel, a luta de clãs não terminou. É por esta razão que os manifestantes apelam a uma limpeza de todo o sistema. Durante vários anos de o peso do poder autoritário e mafioso não favorece a mudança política. A oposição é fraca e está dividida, acrescenta LE FIGARO, no seu editorial.

Os argelinos querem ser os autores do livro do seu futuro, replica, L’HUMANITÉ. Vale a pena lutar, é o editorial deste jornal a sublinhar que depois de muitas tergiversações que subentendem negociatas entre as diversas facções dum poder obscuro, Abdelaziz Bouteflika, acabou por se demitir.

Desde 22 de Fevereiro, centenas de milhares ou milhões consoante os dias, os argelinos desceram às ruas para denunciar a candidatura de Bouteflika a um quinto mandato presidencial. Num país com 40% da população com menos de 25 anos, uma candidatura de Bouteflika de 82 anos e doente de um acidente vascular cerebral, parece ser algo de inadmissível, nota, L’HUMANITÉ.

Ainda sobre a África, LE MONDE destaca, Etiópia, o fim do estado de graça ao primeiro ministro Abiy Ahmed, após um ano no poder. De visionário e reformista, começa a ser atacado devido à anarquia, justiça popular e proliferação de armas e instabilidade por causa de acções armadas da Frente de libertação do povo oromo, nota o vespertino.

Mudando de assunto, em França, LA CROIX, titula sobre a reforma das pensões na armadilha da idade. 73,  58 ou 60 anos?   Se a idade legal da reforma é de 60 anos, na prática, tem aumentado, progressivamente, para uma média de 64 anos, até 2030.

O debate actual depois duma autêntica cacofonia no governo com cada ministro a avançar o que pensa ser a idade para se ir para a reforma é puramente uma questão orçamental, na medida em que Macron, prometeu durante a sua campanha reduzir as despesas públicas até 2022. Para o filósofo Patrick Savidan, não é com discursos bonitos que a confiança estará de volta ao país, nota, LA CROIX.

Levothyrox: um estudo dá razão aos doentes sobre este medicamento, titula, LE MONDE. Dois anos após os alertas sobre os efeitos indesejáveis do medicamento nos doentes, um estudo científico, vem dar-lhes razão. Cerca de 60% dos pacientes reagem de modo diferente ao medicamento relançando assim o debate em torno da comercialização de produtos farmacêuticos e o controlo da sua segurança em França, acrescenta, LE MONDE.

Por seu lado, LIBÉRATION, titula, sou transsexual e depois?, com a foto de Julia, agredida no domingo em Paris, agressão violenta que foi filmada e posta a circular nas redes sociais. Isto vem revelar de forma crua uma discriminação muitas vezes esquecida. Insultada e agredida no domingo na Praça da República em pleno Paris, a rapariga transsexual afirma que não vai recuar face à ignorância e o ódio pelo outro.

“Sairei de cabeça erguida desta experiência.” É uma violência quotidiana e a todos os níveis contra transsexuais, como a Júlia, mas, uma discriminação que atinge, praticamente, todo o grupo LGBT, lésbicas, gays, bissexuais e transsexuais, escreve, LIBÉRATION, que faz um apanhado da situação em vários países do mundo.

Enfim, LE MONDE, dá relevo à nova prisão de Ghosn no Japão. O antigo PCA da Renault-Nissan está sob custódia da polícia desde ontem à noite em Tóquio. Por cá o conselho de administração da Renault, recusa-lhe uma pensão de reforma de ouro, depois de ter circulado notícias de que pediu 756 milhões de euros por ano. A Renault condena ainda as práticas de Ghosn, acrescenta, LE MONDE.

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