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Moçambique de Guebuza e Nyusi mergulhado em escândalos financeiros

Por João Matos

Abrimos esta Imprensa Semanal, com LA LETTRE DE L'OCEAN INDIEN, que destaca Moçambique e Nyusi que espera conter o tsunami do descalabro do clã Guebuza. 

Desde as recentes prisões em Maputo de Maria Inês Moiane Dove, ex-secretária particular de Armando Guebuza, depois o filho deste último, Armando Ndambi Guebuza, de 43 anos, o clã do ex-presidente moçambicano está com a faca judiciária à garganta. Vários dos seus membros são acusados de ter arquitectado uma montagem financeira fraudulosa, dita Tuna Bonds, para desviar dezenas de milhões de dólares que foram parar aos seus bolsos, gerando o escândalo das dívidas ocultas. 

Um regalo para o presidente Filipe Nyusi e o seu círculo próximo que, por ora, estão exonerados de todas as preocupações, que, doravante, terão toda a latitude para gerir a Frelimo, no governo, até às eleições presidenciais de outubro. Contudo, a onda de choque destas acusações corre o risco de atingir homens de negócios e dirigentes da Frelimo que têm relações estreitas com as pessoas incriminadas.

LA LETTRE DE L'OCEAN INDIEN, continua avançando nomes desta onda de choque dos quais destacamos alguns, como Bruno Evans Tandane Langa, amigo e co-accionista de Ndambi Guebuza, associado a Salimo Amad Abdula, amigo do pai. Mas o filho do ex-presidente é também parceiro de Catarina Mário Dimande, que para além de mulher de negócios é conselheira do Presidente Nyusi e esposa de Nkutema Namoto Alberto Chipande, filho do general Alberto Chipande, mentor do actual Presidente da República.

Lua de mel entre Angola e Portugal

Por seu lado, LA LETTRE DU CONTINENT, refere-se a Angola e o que se diz nas Redes sociais sobre os namoros de João Lourenço com Lisboa. Chegado ao poder, João Lourenço, imprimiu uma nova dinâmica às relações com Lisboa, depois de anos de tensões.

Sinal desta normalização, o presidente angolano recebeu o chefe da diplomacia portuguesa, Augusto Santos Silva em fevereiro para preparar a actual visita de Estado do Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa. Sem dizer que em setembro de 2018, António Costa, primeiro-ministro português visitou Angola e o chefe de Estado angolano, fez dois meses depois, uma visita oficial a Lisboa.

Bouteflika não larga o poder na Argélia

Mudando de assunto, Argélia, faz as capas de todos semanários. Porque dizem não a Bouteflika, explica JEUNE AFRIQUE. Num país onde 45% da população tem menos de 25 anos e sonha com uma vida melhor, a quinta candidatura do chefe de Estado suscita incompreensão e raiva de numerosos jovens.   

Argélia, no coração da revolta, pertence ao L'OBS. Desde 22 de fevereiro o povo está nas ruas, gentes de todas as idades e estratos sociais, contestando a decisão de Bouteflika, concorrer a um quinto mandato. Os argelinos estão decididos a escrever pacificamente uma nova página da história do seu país. Talvez esteja em marcha uma revolução democrática na Argélia, nota, L'OBS.

Argélia, um povo à reconquista do seu país, destaca, por sua vez, COURRIER INTERNATIONAL. Os argelinos deixaram de ter medo e invadiram as ruas das cidades exprimindo a sua rejeição do sistema Bouteflika e reclamar uma renovação democrática. Desde 22 de fevereiro, as manifestações projectaram uma imagem de cidadãos determinados e duma grande maturidade política.

Por seu lado, LE POINT, faz um especial Argélia, nos bastidores duma viragem histórica. A juventude está na linha da frente das manifestações, o sistema Bouteflika vacila, tendo como pano de fundo uma guerra de clãs. Uns a defender uma cosmética constitucional, aumentando o mandato presidencial de 5 para 7 anos permitindo assim que Bouteflika ficasse ainda no poder, enquanto outros defendiam que não havia tempo suficiente, logo não houve coesão para tentar a opção constitucional.

Outros ainda avançaram com a ideia de segurança nacional, tendo como pretexto as manifestações e revoltas de rua. Apenas o patrão do exército não abriu a boca num silêncio eloquente com os outros a perceber que ele não mexeria uma palha sequer para impedir a candidatura de Bouteflika a este quinto mandato.

Macron e o seu debate nacional

Por último, por cá, em França, o mesmo COURRIER INTERNATIONAL, refere-se ao debate lançado a 15 de março por Emmanuel Macron, para perguntar: ainda é possível debater? Os mídias do mundo inteiro interrogam-se sobre a pertinência mesma de debater actualmente nas redes sociais. Da denúncia do politicamente correcto nos Estados Unidos, passando pelo impossivel diálogo sobre o Brexit, a imprensa está preocupada e à procura de soluções. 

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