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Videovigilância e caça a manifestantes violentos em França

Por João Matos

As primeiras páginas dos jornais franceses estão dominadas pela actualidade nacional, mas mesmo assim, há as próximas eleições europeias e as fake news ou os preparativos democratas para o arranque das primárias americanas.

LE MONDE titula coletes amarelos: caça a videos de vândalos. A análise dos videos tornou-se a melhor ferramenta dos polícias para tentar caçar os meliantes e os gatunos que se misturam aos manifestantes.

As imagens em grande quantidade de amadores, sítios militantes, cadeias de informação 24 horas por dia ou câmaras de videovigilância são passados a pente fino. Permitiram nomeadamente que fossem presos autores que vandalizaram o Arco do Triunfo, tentaram linchar forças da polícia ou roubaram estabelecimentos comerciais.

Os investigadores tiram igualmente proveito do amadorismo dos indíviduos que infiltram as manifestações apenas para destruir e do narcisismo que praticam quando se filmam em plena acção. Certos especialistas não hesitam em comparar esta revolução tecnológica a aquela das impressões digitais, acrescenta, LE MONDE.

Nossas vidas, nossas propostas, titula, L'HUMANITÉ, em referência aos livros de reclamações da ira e da esperança. São cartas que o jonral recebeu desde 20 de dezembro dos seus leitores com centenas de contribuições para alimentar o debate público. "Vivemos mal eu e o meu marido e tive de anular uma intervenção cirúrgica aos rins, porque quando pagámos o aluguer, a electricidade e águaé, não ficámos com tostão", escreve uma leitora.

Autoestrada da fortuna, titula, LIBÉRATION, referindo-se ao aumento das tarifas aplicadas a partir de hoje, o que vai reforçar os lucros das concessionárias e a ira dos coletes amarelos.

Por seu lado, LA CROIX, titula, os dissabores do mundo rural. O departamento de Lot-et-Garonne está carcomido  por dificuldades económicas e sociais conhece uma mobilização sustentável dos coletes amarelos.

Mudando de assunto, LE FIGARO, titula, mobilização anti-fake news nas vésperas das eleições europeias. Com o aproximar da data, em maio, a justiça prepara-se para responder a numerosas queixas que advirão da lei votada. A manipulação e a desinformação teriam contribuído para a alteração dos resultados das eleições em pelo menos 18 estados, segundo uma ONG.

François Bazin, ex-conselheiro de comunicação de Mitterrand e autor do livro O Feitiçeiro de Eliseu, afirma em contrapartida que não são as fake news que decidem eleições nas democracias e que a lei de manipulação e desinformação, que já foi esvaziada da sua substância pelo Tribunal constitucional, não vai servir para nada.

O mesmo jornal refere-se ainda à luta entre Kiev e Moscovo para se aliarem ao mundo ortodoxo. Depois do cisma da sua Igreja, a Ucrânia protagonia uma batalha com a Rússia para alargar a sua influência aos ortodoxos. 

Por seu lado, LE MONDE, dá relevo aos Estados Unidos e a corrida democrata que foi lançada à esquerda. Questões sociais e fiscais dominam as propostas dos candidatos à investidura das primárias para as presidenciais e na linha da frente está a ex-procuradora e senadora de Califórnia, Kamala Harris, nas pegadas de Obama.  

Em relação à África, o mesmo vespertino, nota que a ONU encara a hipótese de reduzir o embargo sobre as armas na República centroafricana. É que Bangui quer equipar as suas forças para lutar contra os grupos armados rebeldes.

Por seu lado, L'HUMANITÉ, destaca Djibuti à caça dos opositores até em Paris. A 21 de janeiro último, Mohamed Kadami, refugiado político foi ouvido pelas autoridades francesas, depois de terem sido contactadas por magistrados de Djibouti.

Presidente da Frente para a restauração da unidade, Kadami, é acusado pelos magistrados do seu país de conluio criminoso e foi nessa perspectiva que pediram àas autoridades francesas a sua extradição, que não se concretizou, tendo saído livre do comissariado da polícia, em Paris, nota, L'HUMANITÉ.