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Debate nacional sobre crise em França com casa cheia

Por João Matos

As primeiras páginas dos jornais franceses apresentam-se diversificadas tanto a nível nacional como a nível internacional.

Os franceses apanham gosto ao grande debate nacional, titula, LE FIGARO. Desde o arranque das reuniões há uma semana as salas têm estado a rebentar pelas costuras. Os cidadãos vão a estas reuniões para partilharem ideiais, em resposta à crise dos cletes amarelos, nota, LE FIGARO.

Por seu lado, LIBÉRATION, titula, impostos ou serviços públicos, que fazer? Alimentada tanto pela excessiva taxa fiscal como pelo desaparecimento de hospitais e linhas de comboio, a revolta dos coletes amarelos é apresentada como o contraditório neste grande debate. Por sua vez, o governo, aposta no debate para legitimar a sua reforma do Estado, observa, LIBÉRATION.

Medicamentos: uma penúria organizada, titula, L'HUMANITÉ, Em 10 anos, as rupturas de stock explodiram. A corrida ao lucro dos laboratórios virou um desastre sanitário, nota,o jornal comunista.

Estas cidades que apostam no verde, titula, LA CROIX. As conferências europeias de transição energética, decorrem em Dunquerque até 24 janeiro. A aglomeração de Vichy visa à autonomia energética até 2050. Temos de recuperar de volta a nossa produção de energia. Não podemos deixou tudo nas mãos dos dirigentes da Electricidade de França e da Areva, declara o consultor Alain Desclos, em entrevista ao jornal, LA CROIX.

Mudando de assunto, na actualidade internacional, LE MONDE, titula, Brexit: Barnier exclui renegociar o tratado. Numa entrevista a este vespertino, o negociador da União europeia sobre o Brexit advertiu que o tratado de divórcio com Theresa May é o único possível. Se o governo e os deputados britânicos não fizerem concessões, vamos caminhar inevitavelmente para um "no deal", previne o francês, Barnier.

Contrariamente às exigências dos defensores do Brexit, ele não quer modificar a linha de segurança imaginada para evitar o retorno duma fronteira na Irlanda do Norte, acrescenta, LE MONDE.

Macron e Merkel face aos tumultos do mundo, nota o mesmo vespertino, para se referir aos dois dirigentes francês e alemão que assinaram ontem em Aachen um novo tratado de cooperação. Em todos os países, os nacionalismos e populismos  ganharam importância, recordou Merkel, enquanto Macron, sublinhou que a ameaça deixou de ser o vizinho para passar a vir do exterior e do interior mesmo das nossas sociedades. Mas, acrescenta, LE MONDE, os 2 dirigentes terão que lutar muito para convencer, tendo em conta como foram recebidos por manifestantes gritando "fora" Merkel, Macron "demissão".

Em relação à África, LA CROIX, dá relevo à presidencial argelina que já está decidida. 6 personalidades independentes e 5 partidos políticos foram buscar os respectivos formulários de suas candidaturas às presidenciais dentro de 3 meses, a 18 de abril. Um processo democrático em aparência, pois, desde a independência da Argélia não são as urnas que ditam a escolha do presidente.

A população argelina parece resignada a ponto de certos especialistas recearem um forte abstenção no próximo escrutínio. Os argelinos acreditam que a fraude será determinante com ou sem Bouteflika, que assinou ontem o decreto presidencial, marcando as eleições para 18 de abril, acrescenta, LE MONDE.

O mesmo vespertino refere-se ainda ao Zimbabué, onde a população manifesta o seu descontentamento quanto à má situação económica. O presidente Emmerson Mnangagwa, que desiludiu as esperanças do povo apelou na segunda-feira  à calma depois duma violenta repressão no dia 12 de janeiro que fez 12 mortos e 78 feridos.

A terminar, uma nota cinematográfica com LIBÉRATION e o filme de animação inspirado do livro "Duma guerra a outra", do célébre repórter polaco, Kapuscinski, sobre a guerra civil que devasta Angola. 1975, uma das últimas colónias de África conta os dias antes da sua independência.