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Eliseu Caso Benalla Negócios Chade Segurança Emmanuel Macron

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Mais um caso Benalla destabiliza o presidente Macron

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Alexandre Benalla, prestando juramento na comissão especial do Senado a 19 de setembro de 2018. REUTERS/Charles Platiau

Decididamente há um problema de gestão de comunicação de crise no Eliseu, se tivermos em conta como foram tratados o conflito dos coletes amarelos, as diferentes reformas e o caso Benalla, que está de novo à ribalta. O ex-chefe de missão para a segurança do Presidente francês, encontrou-se no começo de dezembro em Ndjamena com o chefe de Estado chadiano, dias antes da visita de Macron ao Chade.


Mergulhado na crise dos coletes amarelos, sem uma solução à vista, o Eliseu, quer distanciar-se do caso Benalla, esse antigo chefe de missão do Presidente Macron, com responsabilidades a nível da segurança.

É que Alexandre Benalla, fez uma misteriosa viagem de negócios ao Chade no começo de dezembro e foi recebido pelo Presidente chadiano, Idriss Déby, antes da visita àquele país do chefe de Estado francês, Emmanuel Macron, do útimo fim-de-semana.

O Palácio do Eliseu, afirma que Benalla não esteve em missão oficial ou oficiosa no Chade por conta do Presidente Macron e se se apresentou como tal, isso é falso.

Por seu lado, num comunicado à agencia noticiosa francesa, AFP, Benalla, replicou que acompanhou "uma delegação económica estrangeira no quadro de investimentos de um projecto industrial de 250 milhões euros naquele país".

Benalla, antigo chefe de missão do Presidente Macron, acrescenta ainda, que o Eliseu quer criar-lhe problemas com "afirmações difamatórias, caluniosas, irresponsáveis e que não se calará mais." 

O certo é que Benalla, tido como um perito  em protecção de personalidades encontrou-se durante duas horas com o presidente Idriss Déby, aliado da França nas operações anti-jiadistas no Sahel.  

O menos que se pode dizer é que há um problema com a gestão de comunicação de crise em torno dos conselheiros e do próprio presidente Macron, porque é recorrente, que no Eliseu, se diga uma coisa e no governo o seu contrário. 

Aqui no caso Benalla, que tem pendente um processo na justiça por ter agredido manifestantes nas festas do útimo 1° de maio, vê-se que há versões diferentes e conflituosas, com o ex-protegido de Macron, a dizer que tem informado a mais "alta autoridade francesa de todas as suas deslocações ao estrangeiro, enquanto o Eliseu, diz ter sido informado por Benalla, só na "última semana". 

Benalla e Macron, uma relação complicada 

É mais uma crise que vem juntar-se às crises política e social que o Presidente Macron e o seu governo não conseguem resolver, com a França a viver uma autêntica revolta da sua classe média.

Alexandre Benalla  é "um personagem verdadeiramente obscuro" e "está sempre lá onde não devia estar", considerou o deputado da esquerda radical, Eric Coquerel.

Por seu lado, Gilbert Collard, deputado da União nacional, direita extrema, declarou que Benalla "tem de nos explicar claramente porque é que foi ao Chade, em que condições, para que não se pense que há uma relação entre o que ele faz e as iniciativas de Macron".

"Eu gostaria que Eliseu clarificasse a sua posição em relação a Benalla, pois, é preocupante que Benalla se ponha a ameaçar o Eliseu", afirmou por seu lado o deputado centrista, Jean-Christophe Lagarde.

Enfim, no próprio partido no poder do Presidente Macron, República em Marcha, o deputado Jacques Marilossian, deplorou estas questiúnculas considerando que "as pessoas estão preocupadas com outras questões e não porque é que Benalla esteve no Chade.