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Discurso do Presidente Macron não convence franceses

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Emmanuel Macron, discurso à Nação sobre crise dos coletes amarelos Ludovic Marin/Pool via REUTERS

O discurso de ontem do Presidente francês, Emmanuel Macron, foi muito seguido nos meios de comunicação social, mas não convenceu a opinião pública francesa, e na primeira linha, os coletes amarelos, que dizem estar desiludidos. Também a oposição considera que apesar dalgumas concessões, o presidente Macron, não convenceu. 


23 milhões de pessoas ouviram o discurso do presidente francês, Emmanuel Macron, um recorde histórico de audiência, nas televisões, rádios e plataformas na Net, mas não ficaram convencidas.

Uma sondagem da Odoxa, para a Radio France Info e Le Figaro, afirma que 59% por cento dos franceses não ficaram convencidos pelo discurso de Macron, 57% consideram que o chefe de Estado está sem norte e 54% consideram que as manifestações devem continuar.

O presidente francês falou mas o seu discurso caiu em saco roto, sobretudo, entre os coletes amarelos, que anunciam a quinta ronda de manifestações para o próximo sábado.

"Houve boas intenções e uma mea culpa do Presidente, mas chegaram demasiado tarde, e tudo não passa de comédia", afirma um dos coletes amarelos. 

Minoritárias, mas começa a haver vozes mais moderadas entre os coletes amarelos considerando que devia haver uma trégua nas manifestações.

Oposição da esquerda e crítica moderada da direita 

Entre os políticos, o líder da França Insubmissa, Jean-Luc Mélenchon, rejeitou o discurso do Presidente francês e apelou à continuação das manifestações dos coletes amarelos, alunos dos liceus, estudantes universitários e outras profissões, contra a política social do governo.

Também o novo secretário nacional do Partido comunista, Fabien Roussel, considerou que o chefe de Estado esteve aquém das expectativas do país e apelou para novas manifestações dos coletes azuis.

Emmanuel Macron não compreendeu nada do que se passa no movimento dos coletes amarelos, condenou o sindicato comunista CGT, enquanto, Laurent Berger, da CFDT, considerou que não houve respostas de médio e longo prazos. 

Na direita, os Republicanos, consideram que houve alguns anúncios positivos do Presidente francês, como o aumento de 100 euros, no salário mínimo, mas insuficientes.

Contudo, o presidente da comissão das finanças da Assembleia nacional, Eric Woerth, dos Republicanos, apelou os coletes amarelos a levantar as barricadas nas rotundas.

Para a direita extrema, a líder da União Nacional, Marine Le Pen, o presidente Macron, recusa admitir que é o modelo, de que é o campeão, que está a ser contestado. 

França fragmentada socialmente e dividida ao meio

Na verdade, o país está dividido ao meio. De um lado a esquerda, os operários e classe média baixa contra a política económica e social do governo, e doutro, o governo, partido presidencial e os quadros, que apoiam Macron.

Para o porta-voz do governo, Benjamim Grivaux, foram importantes os anúncios feitos pelo presidente Macron, que vão custar entre 8 mil e 10 mil milhões de euros.

Estas medidas são  muito massivas afirma também o secretário de Estado dos assuntos europeus, Jean-Baptiste Lemoyne.

Por seu lado, o ex-primeiro ministro, Alain Juppé, que não aprendeu com a crise social que viveu em 1995, apoia as medidas anunciadas pelo Presidente Macron e apela para o fim das manifestações dos coletes amarelos.

É neste quadro que o primeiro-ministro, Edouard Philippe se apresenta hoje na Assembleia nacional para explicar as medidas anunciadas ontem pelo Presidente Macron. 

Mas, o primeiro-ministro é recebido por uma moção de censura dos deputados do Partido socialista, do partido comunista e da França Insubmissa. Uma moção que tem apenas um peso simbólico já que o governo é apoiado por uma forte maioria parlamentar da República em Marcha e os centristas.  

Reacções ao discurso do Presidente Macron 11/12/2018 ouvir