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Ghislaine Dupont e Claude Verlon: o apelo da família ao Presidente Macron

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Ghislaine Dupont e Claude Verlon. ©RFI

A agência da ONU decretou o dia 2 de Novembro como o "Dia Internacional para Acabar com a Impunidade dos Crimes contra Jornalistas", em homenagem a Ghislaine Dupont e Claude Verlon assassinados no norte do Mali, a 2 de Novembro de 2013.


A 29 de Novembro 2017, o Presidente francês, Emmanuel Macron, tinha feito esta promessa ao microfone da RFI; "vim dizer-vos que o compromisso da França é inteiro. Nós vamos encontrá-los e pagarão e vamos elucidar tudo o que tem de ser elucidado. Vim deixar este compromisso de forma solene. A França está a fazer tudo para que toda a verdade seja revelada quanto a este caso".

Passado um ano, a filha de Claude Verlon, Apolline Verlon, questiona se este compromisso presidencial foi esquecido; "as promessas devem ser postas em prática. Penso que pode fazer muito mais do que prometer que pode ajudar-nos a encontrar esta verdade, mas tenho impressão que não é o que está a acontecer".

O Eliseu recusa partilhar com detalhes o estado das investigações conduzidas pela presidência quanto à investigação em curso.

O porta-voz do governo garante que o Presidente e o gabinete estão mais do que nunca mobilizados, Benjamin Griveaux; "o compromisso da França continua inteiro para que toda a justiça seja feita. Os serviços do Estado estão mobilizados para ajudar a justiça, nomeadamente, para encontrar os responsáveis deste crime que vão ser encontrados e que terão de prestar contas. Existem trocas recorrentes entre as autoridades francesas e e malianas e é acompanhado de perto pelo Presidente da República".

Emmanuel Macron vai aceitar receber as famílias das vítimas. É o desejo de Appoline Verlon filha de Claude Verlon e Marie Solange Poinsot, mãe de Ghislaine Dupont.

Peça com reacções 02/11/2018 ouvir

Dia Internacional para Acabar com a Impunidade dos Crimes contra Jornalistas

Desde 2006, a Unesco condenou os assassínios de 1.010 jornalistas e profissionais dos meios de comunicação. Nove em cada dez casos nunca foram julgados, segundo um relatório publicado.

"A luta contra impunidade faz parte da liberdade de expressão, da liberdade de imprensa e do acesso à informação. Atacar um jornalista é o mesmo que atacar toda a sociedade", declarou à AFP a directora-geral da Unesco, Audrey Azoulay.

Ontem à noite, a Torre Eiffel de Paris apagou-se simbolicamente durante um minuto de silêncio pelos jornalistas assassinados, numa iniciativa da Repórteres Sem Fronteiras (RSF).

"Jamal Khashoggi foi assassinado porque queria escrever e falar com liberdade", declarou Fabiola Badawi, ex-companheira do jornalista.

O seu assassínio, mas também os de Anna Politkovskaya em 2006 em Moscovo e o de Marie Colvin em 2012 na Síria, "colocam em questão directamente os Estados, as suas diplomacias, a sua polícia, seus serviços secretos e suas justiças", assinala a associação de amigos de Ghislaine Dupont e Claude Verlon num artigo de opinião, publicada esta sexta-feira, no jornal francês Libération.

Entre 1º de Janeiro e o final de Outubro de 2018, a Unesco contabilizou os assassínios de 86 jornalistas.

Enquanto os enviados especiais às vezes morrem em zonas de guerra, os jornalistas locais que investigam corrupção, crime e política têm o maior número de vítimas. Representam 90% dos repórteres assassinados, segundo a Unesco.

Para que o assassínio de jornalistas seja "contraproducente", a ONG Forbidden Stories promete "continuar as investigações dos jornalistas assassinados" e dar-lhes uma ressonância internacional.

A Unesco também lançou uma campanha nesse sentido, chamada #TruthNeverDies, A verdade nunca morre, para incentivar a publicar artigos escritos por ou em homenagem a jornalistas mortos no exercício de sua profissão.

De acordo com a RSF, a Síria é o país mais letal do mundo para os jornalistas, seguido pelo México, o país em paz mais perigoso.