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Exposição Arte Jean-Michel Basquiat

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Basquiat e Schiele na Fundação Louis Vuitton

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Jean-Michel Basquiat. Dos Cabezas, 1982. © Estate of Jean-Michel Basquiat/© Robert McKeever

A obra de Jean-Michel Basquiat, um dos pintores mais marcantes do século XX desdobra-se pelos quatro pisos do edifício de Frank Gehry. A Fundação Louis Vuitton homenageia dois artistas maiores em duas retrospectivas de excepção. Desde 3 de Outubro e até 14 de Janeiro de 2019, a Fundação propõe-nos um mergulho nas obras de Egon Schiele e de Jean-Michel Basquiat.


A exposição percorre, entre 1980 até 1988, a carreira do pintor e foca-se em mais de 120 obras que determinaram quem foi Basquiat. A exposição apresenta um conjunto de obras inéditas na Europa tanto pelas imagens das cabeças de 1981-1982, pela primeira vez reunidas em Paris, ou pela apresentação das várias colaborações entre Basquiat e Warhol, ou ainda pelos trabalhos essenciais como Obnoxious Liberals (1982), In Italian (1983) ou Riding with Death (1988).

Jean-Michel Basquiat deixa cedo a escola e apropria-se das ruas nova-iorquinas como primeiro ateliê. Rapidamente, a sua obra conhece um sucesso tão desejado como sofrido.

A exposição revela a dimensão do artista que soube reinventar, dessacralizar, de forma radial, a prática de desenho e do conceito de arte. O uso do cópia-cola abriu espaço ao cruzamento de disciplinas e às ideias mais diversas.

Jean-Michel Basquiat criou novos espaços de relfexão e antecipou a nossa actual Era internet bem como pós-internet, as novas formas de comunicação e de pensamento.

A acuidade do olhar de Basquiat, a sua familiaridade com museus, a sua leitura de obras literárias trouxeram-lhe uma cultura original e própria. O olhar orientado : na ausência de artistas pretos aparece como uma dolorosa evidência. Basquiat impõe a existência, paridade, culturas e revoltas africanas e afro-americanas na sua obra como explica o investigador no Centro de Estudos de Literatura e Linguística Francófonas sobre África e Antilha, Rafael Lucas.

Investigador no Centro de Estudos de Literatura e Linguística Francófonas sobre África e Antilha, Rafael Lucas 31/10/2018 ouvir

Exposição Egon Schiele

A obra de Egon Schiele é indissociavél ao espírito de Viena do início do século XX. Em poucos anos, o desenho de Schiele impôs-se como um dos vértices do Expressionismo. Em ruptura com a Academia, que integra precocemente, funda em 1909 o Neukunstgruppe e, graças à Secessão de Viena e Gustav Klimt, descobre os trabalhos de Van Gogh, Munch ou Toorop.

A partir de 1911, é num certo isolamento que Schiele se concentra na própria produção. Período fascinante pela distorção de corpos através das quais propõe; introspecção, expressão frontal de desejo e sentimento trágico da vida.

Ceifado pela gripe espanhola de 1918, Schiele terá pintado durante pouco mais de dez anos umas trezentas telas e vários milhares de desenhos.

Nos últimos 25 anos, esta é a primeira monografia de Schiele em Paris. A mostra propõe obras do início da carreira como Autoportrait à la lanterne chinoise (1912), Femme enceinte et mort (mère et mort) (1911), Portrait de l’épouse de l’artiste (Edith Schiele), tenant sa jambe (1917), Nu féminin debout avec tissu bleu (1914), Nu masculin assis vu de dos(1910), ou ainda Autoportrait(1912).