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Remodelação do governo francês sem grandes novidades

Por João Matos

As primeiras páginas dos jornais franceses estão dominadas pela actualidade nacional, como a remodelação governamental do Presidente Maceon e as cheias no sul da França.

Os novos equilíbrios do governo, titula, LE MONDE. Duas semanas depois da demissão de Gérard Collomb, o Palácio do Eliseu divulgou a composição de um novo governo. Macronista desde o primeiro momento, Christophe Castaner recupera o ministério sensível do Interior. Laurent Nuñez, que dirigia o serviço da luta anti-terrorista, é nomeado seu secretário de estado, entre outros nomes em diferentes ministérios.

Todo este barulho só para isto?, pergunta, a cronista, Françoise Fressoz nas páginas do vespertino. De tanto adiar esta remodelação, Macron, criou desejos excessivos correndo o risco de desiludir, porque não há nada de espectacular na mudança de equipa anunciada. Foi mais um equilíbrio entre a bicefalia do executivo, nota, a cronista do LE MONDE.

Outro assunto que domina todos os diários, é a emoção nacional após o dilúvio mortífero do sul da França, titula, LE FIGARO. Aldeias devastadas, estradas desventradas, carros encravados em casas demolidas…. Graves inundações que afectaram a região estão na origem de um balanço humano muito pesado, acrescenta, LE FIGARO.

Pelo menos 11 mortos, como é ainda isto possível, pergunta, em título, L’HUMANITÉ. O acontecimento supreendeu pela sua violência. O ordenamento do território entra pela janela. Quando se fala de inundações temos antes que analisar o fundo da questão, afirma Marie-France Beaufils, vice-presidente do centro europeu de prevenção dos riscos de inundação. Como fazer a lavoura, como construir, que obras construir e proteger? Temos que fazer um diagnóstico, afirma, a entrevistada do jornal L’HUMANITÉ.

Região de Aude ferida, titula, LA CROIX. Fortes cheias fizeram pelo menos uma dezena de mortos e importantes estragos. Não é a primeira vez que a região é inundada, porque em 1999, cheias fizeram 25 mortos. Mas 39% por cento da população local vivem numa zona inundável. A jovem geração não tem memória dos lugares e ignora a vulnerabilidade natural nomeadamente o risco de cheias, afirma, LA CROIX.

Por seu lado, LIÉRATION, titula, sobre a violência de bandos. A morte aos 13 anos, referência a um adolescente morto este fim-de-semana em Lilas, arredores de Paris. En fins de setembro um aluno de um liceu de Garges-lès-Gonesse, subúrbio parisiense, tinha sido linchado. São rixas ultra-violentas implicando jovens e que acontecem muitas vezes por um simples olhar.

Na actualidade internacional, LE FIGARO, destaca o desaparecimento do jornalista Khashoggi: o grande medo de dissidentes suaditas. De Londres a Sidney, passando por Canadá, França ou Alemanha, o medo toma conta de opositores ao príncipe herdeiro, Mohamed  Bem Salman, novo homem forte de Riade.

Eles estão convencidos que o desaparecimento do jornalista Jamal Khashoggi, há 15 dias, no consulado saudita de Istambul é uma mensagem a todos os dissidentes, acrescenta LE FIGARO.

Angela Merkel está ameaçada como chanceler?, pergunta, LA CROIX. Merkel apelou ontem os seus ministros a pôr um fim às querelas sobre a imigração prometendo recuperar a confiança.

Para o politólogo Michael Bôning da Fundação social democrata Friedrich-Ebert, nada nas eleições na Baviera significa que Merkel tenha de abandonar o governo. As repercussões são brutais para os conservadores da CSU, e talvez ainda mais, para os sociais democratas do SPD, mas por instante, a chanceler está fora de perigo, acrescenta o politólogo, num artigo de opinião, no LA CROIX.

Enfim em relação à África,  LE MONDE, explica como  Marrocos persegue candidatos à imigração para Europa.

Forçado pela União europeia, o reino marroquino é palco de uma vaga sem precendentes de prisões e deslocações forçadas de africanos subsaarianos que se escondem para não serem presos pelas autoridades marroquinas. Roland foi preso quando tentava apanhar um barco com 12 outras pessoas rumo à Europa.

Economizaram 1000 euros para essa aventura, mas acabaram por ser presos por Marrocos, que faz esse trabalho a pedido da União europeia, nota, LE MONDE.