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França Pedofilia Maëlys

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França: Marcha em memória de Maëlys

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Maëlys de Araújo desapareceu a 27 de Agosto de 2017. ROMAIN LAFABREGUE / AFP

Cerca de 250 pessoas marcharam hoje, em Pont-de-Beauvoisin, no centro-leste de França, em memória de Maëlys de Araújo, a menina lusodescendente que desapareceu há precisamente um ano. As pessoas reclamaram justiça e verdade.


O caso emocionou a França e ecoou além-fronteiras. O desaparecimento de Maëlys de Araújo, de oito anos, aconteceu na noite de 27 de Agosto, durante a festa de um casamento. Foram precisos seis meses para que Nordahl Lelandais, o principal suspeito acusado formalmente de assassínio em Novembro, confessasse ter matado a menina “involuntariamente” e levasse a polícia ao local onde a enterrou. Mas as causas exatas da morte ainda estão por determinar, face às declarações insuficientes do suspeito.

Hoje, cerca de 250 pessoas largaram balões brancos em frente ao local onde ela desapareceu, como Manuel Cardia Lima, conselheiro das comunidades portuguesas eleito pelas áreas consulares de Lyon e de Marselha.

Manuel Cardia Lima sobre marcha em memória de Maëlys 27/08/2018 ouvir

Decidi vir a esta marcha porque tenho netos da mesma idade e hoje era o dia para estar ao lado dos pais, para dar apoio e para partilhar a dor com eles. Em segundo, para representar a comunidade visto que o pai é de origem portuguesa. Estou aqui para dar força aos pais e pedir justiça para a menina”, disse Manuel Cardia Lima.

O português já tinha assistido ao funeral da lusodescendente, em Junho, e hoje fez questão de transmitir ao pai de Maëlys, Joachim de Araújo, que “a comunidade portuguesa estava ao lado dele”.

Joana Ferreira, fisioterapeuta em Le-Pont-de-Beauvoisin, também participou na marcha para reclamar “a verdade”.

Joana Ferreira na marcha em memória de Maëlys 27/08/2018 ouvir

“É sobretudo para não deixar cair no esquecimento porque isto ainda não está resolvido. Afinal, faz um ano hoje e achei que fazia sentido. Que o senhor que está preso – para não lhe chamar nomes – se dignifique a dizer a verdade para os pais poderem estar em paz”, comentou a portuguesa de 28 anos.

 

Um ano de incertezas

A procuradoria de Grenoble indicou, no sábado, que a justiça francesa prolongou por mais seis meses a detenção provisória de Nordahl Lelandais, detido na prisão de Saint-Quentin-Fallavier desde 10 de Julho, depois de ter passado cinco meses numa unidade psiquiátrica no Centro Hospitalar de Vinatier, após a confissão do assassínio, em Fevereiro.

Foi há um ano, na noite de 27 de Agosto, que Maëlys de Araujo, desapareceu numa festa de casamento, em Pont-de-Beauvoisin, e, a 31 de agosto, Nordahl Lelandais foi detido para interrogatório. A 03 de Setembro, o francês foi formalmente acusado de sequestro e, em Novembro, foi acusado de assassínio.

A 14 de Fevereiro, após a descoberta de um rasto de sangue da criança no seu carro, Lelandais confessou que a matou “involuntariamente” e levou a polícia até ao local montanhoso onde enterrou os seus restos mortais.

A 19 de Março, na audição pelos juízes de instrução do tribunal de Grenoble, Nordahl Lelandais indicou que a menina entrou no seu carro para ir ver os seus cães e atribuiu a sua morte a uma bofetada que lhe deu quando ela entrou em pânico dentro da viatura.

Entretanto, a 29 de Março, Nordahl Lelandais admitiu ter matado um militar, dado como desaparecido, em Abril de 2017 e conduziu os investigadores ao local onde foram descobertos os ossos do cabo Arthur Noyer, de 23 anos.

Em Julho, Nordahl Lelandais começou a ser investigado também por agressão sexual a uma prima de seis anos, que teria acontecido apenas uma semana antes da festa de casamento em que Maëlys desapareceu.

De acordo com a agência France Presse, os especialistas psiquiátricos consideram o Lelandais como “perverso mas sem doença mental” e com “uma perigosidade criminosa”. A 10 de Julho, ele deixou a unidade psiquiátrica e regressou para a prisão.

Ainda de acordo com a AFP, alguns ‘media’ falam em ‘serial-killer’ e há uma célula da polícia que está a reconstituir o seu percurso de vida em paralelo com desaparecimentos não esclarecidos, tendo sido reunidos 900 dossiers.