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Macron assume responsabilidade no caso Benalla

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Alexandre Benalla (esquerda) e o Presidente da República, Emmanuel Macron (centro). CHRISTOPHE ARCHAMBAULT / POOL / AFP

A França continua a viver ao ritmo das audiências das comissões de investigação sobre o chamado caso Benalla. Um colaborador do presidente que acabou por ser despedido na semana passada e acusado de violência contra um manifestante.


O caso Benalla está a tornar-se num assunto de Estado em França. Todos os dias responsáveis políticos são interrogados sobre o que aconteceu com Alexandre Benalla, colaborador do Presidente da República.

O chefe de Estado, Emmanuel Macron, reagiu perante os deputados do seu partido "La République en Marche", afirmando que o único responsável foi ele:

"Alexandre Benalla nunca teve os códigos nucleares. Alexandre Benalla nunca ocupou um apartamento de 300 metros quadrados no bairro de l’Alma. Alexandre Benalla nunca ganhou 10 mil euros por mês, e Alexandre Benalla, ele também, nunca foi o meu amante. Isto são coisas que ouvimos nestes últimos dias. Pouco importa o que acontecer ou o que se passar neste caso, não posso esquecer o que ele fez. E se eles procuram um responsável, podem dizer-lhes que ele está perante vocês. O único responsável deste caso sou eu, e apenas eu. Aquele que confiou em Alexandre Benalla, fui eu, o Presidente da República. Aquele que sabia o que aconteceu e validou a sancção fui eu. Os valores que nos fizeram, que nos conduziram até aqui, não foram da República do ódio, a que sanciona um colaborador aqui ou outro ali. Não se pode ser chefe quando tudo corre bem e tentar fugir quando as coisas correm mal", afirmou o presidente da República.

Emmanuel Macron, Presidente da República 25/07/2018 ouvir

Laurent Franck Lienard, advogado de Alexandre Benalla, deu a versão dos factos do seu cliente sobre o espancamento de um popular à margem dos desfiles de dia 1 de Maio.

"Foi uma iniciativa pessoal numa situação que, a seu ver, ultrapassava os limites do aceitável. Como ele era observador dos serviços da polícia ele decidiu intervir por iniciativa pessoal. Ele não tinha poder de intervenção, mas acabou por o fazer por achar que tal era justificado e legítimo. Na óptica dele ao fazê-lo ele assumia o papel de cidadão. Um cidadão que pode intervir em caso de flagrante delito, foi o que ocorreu e ele interveio. Ou seja levou uma rapariga até à polícia e levanta à força alguém que resiste para o levar também à polícia. Nem um nem outro ficaram feridos. Estamos perante um não acontecimento. Neste contexto ele contava era ter uma palavra de apoio do presidente", concluiu.

Laurent Franck Lienard, advogado de Alexandre Benalla 25/07/2018 ouvir

Governo cerra fileiras

O porta-voz do Governo, Benjamin Griveaux, afirmou que várias informações erradas foram veículadas pelos meios de comunicação e poucas foram desmentidas, como por exemplo os dados sobre o ordenado de Alexandre Benalla ou ainda sobre o alojamento que ele podia ter.

Benjamin Griveaux decidiu intervir perante a imprensa e confirmar as críticas do Presidente da República que realçou que a comunicação social não procura a verdade e que quer ter um poder judicial e não apenas mediático.

No entanto o porta-voz do Governo realçou que o poder continua a acreditar num trabalho livre e independente da imprensa, que é uma das jóias da Democracia francesa, desejando porém que a comunicação tente confirmar as informações que recebe.

De notar ainda que os deputados do partido "La République en Marche" afirmaram nesta quarta-feira que não é necessário serem ouvidos outros membros do gabinete de Emmanuel Macron, o que a oposição contesta.

Oposição ataca e contra-ataca

O deputado dos Republicanos, partido da direita, Fabien Di Filippo, afirmou que Emmanuel Macron "não assumiu nada, apenas admitiu", desejando agora que haja "respostas claras sobre este escândalo". A oposição quer ouvir o Presidente da República perante a comissão de investigação.

O primeiro-secretário do Partido Socialista, Olivier Faure, ironizou nas redes sociais: "O novo mundo perdeu toda a sua credibilidade".

Quem também não apreciou a intervenção de Emmanuel Macron foi Marine Le Pen, líder do partido "Rassemblement National", afirmando: "A Constituição, o que não contestamos, protege (o Presidente) de qualquer obrigação de prestar contas. Ele podia ter dito que cometeu um erro, toda a gente podia compreender isso".

De referir que o Presidente da República vai estar em Portugal para uma visita-oficial, enquanto o caso Benalla continua a dar que falar.