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Cimeira europeia da desunião sobre migrantes

Por João Matos

As primeiras páginas dos jornais franceses estão dominadas pela cimeira europeia em Bruxelas sobre questões de migração e imigração.  

LIBÉRATION, titula, Europa, estamos encerrados. Portos proíbidos, fronteiras de arame farpado, muros de separação... o conselho europeu que começou hoje é o de um continente de exclusão que se restringe a europeus marginalizando os outros. Será certamente uma cimeira que vai ficar marcada por profundas divisões que percorrem uma União europeia fragilizada por populismos em crescendo, nota LIBÉRATION.

Cimeira da vergonha, relança, L'HUMANITÉ. É a ignomínia que atinge a cimeira de Bruxelas. Criminalização de refugiados externalização de fronteiras: caindo na ratoeira dos extremistas das direitas sobre os migrantes, os dirigentes europeus enterram todos os valores declarados, sublinha, L'HUMANITÉ.

Coesão, a dura prova da Europa, replica, LA CROIX. A cimeira dos chefes de Estado e de governo, em Bruxelas, será dominada pela gestão das migrações. Os europeus, muito divididos, deverão mobilizar-se para responder ao desafio.

Há que haver uma pedagogia de migrações, defende LA CROIX, no seu editorial, para sublinhar que a França, não está na linha da frente em matéria de acolhimento, e poderia fazer melhor; mas, não volta às costas ao problema, contrariamente aos países da Europa central.

Por seu lado, AUJOURD'HUI EN FRANCE, titula, porque escolhem a França, desenvolvendo todo um dossier sobre os migrantes. Quem são esses desenraízados que atravessam fronteiras em perigo da própria vida? "Não posso ir para outro país", afirma o afegão de 23 anos, Ahmadershad.

"O bem mais precioso é a democracia", replica Ahmed, 22 anos da Eritreia. "Quero ganhar dinheiro e casar", afirma, Dialla, 22 anos, do Mali. Younes, engenheiro sírio, trabalha na construção civil e diz estar cansado de enviar o seu curriculum vitae às empresas da região da Normandia, que não lhe respondem, acrescentando desolado, que "talvez" venha a regressar à Síria, lê-se na reportagem do AUJOURD'HUI EN FRANCE."    

Mudando de assunto, LE FIGARO, faz o seu principal título, com o serviço militar nacional universal: um grande projecto retocado e corrigido. Apresentado como um plano de coesão nacional, diversidade social e territorial, o programa de serviço militar, proposto a todos os alunos de 16 anos do curso geral do ensino secundário e dos liceus, far-se-á em duas fases de 15 dias cada, durante as férias escolares.

Um primeiro teste será lançado a partir de outono de 2019, após uma consulta nacional junto da juventude, acrescenta, LE FIGARO. 

Em relação à política francesa, LE MONDE, titula, Macron e o seu  método: as reformas passam e instalam-se as dúvidas. Um ano depois da sua eleição o chefe de Estado pôde adoptar as suas grandes reformas, sem que os sindicatos estivessem em condições de as recusar.

Macron, conhece, no entanto, um cansaço no seio da opinião, após uma série de polémicas em torno das suas farpas lançadas ao povo e das despesas do Eliseu.

As relações entre o governo e poderes locais são tensas, em vésperas da conferência territorial, nota LE MONDE.

Sobre a África, o mesmo vespertino, dá relevo, ao genocídio ruandês e à ilibação confirmada para um padre ruandês residente em França. O padre Wencesclas Munyeshyaka comparecia perante a justiça francesa sobre a sua presumível implicação nos massacres de 1994, no Ruanda.

24 anos depois do genocídio que fez 800 mil mortos na sua maioria tutsis, o Tribunal de Relação de Paris confirmou a absolvição doantigo párogo da Igreja de Santa Família de Kigali, nota LE MONDE.

Enfim, uma nota cultural deste jornal, sobre o encenador português Tiago Rodrigues, que encena uma história de teatro e da vida, uma bela história que liga Lisboa e Lausana, na Suíça, "Nada acontece como planeamos" em Teatros franceses de Montpellier e  Lyon.