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França Suíça Islão Violação Mulheres

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Tariq Ramadan vai continuar em prisão preventiva

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Tariq Ramadan. Nantes. 25 de Abril de 2010. REUTERS/Stephane Mahe

O teólogo Tariq Ramadan, indiciado por dois crimes de violação, vai continuar em prisão preventiva, quase uma semana depois de ter sido detido para interrogatório. Confira aqui o perfil deste intelectual suíço, tão influente quanto controverso.


A sua queda começou em Outubro quando duas mulheres apresentaram queixa à justiça por violação durante a vaga de denúncias e do movimento das vítimas de assédio sexual "#MeToo". Os feitos teriam ocorrido entre 2009 e 2012, em dois hotéis, à margem de conferências. Para ele, tudo não passa de uma “campanha de calúnias”.

Com 55 anos, o especialista de Estudos Islâmicos é acusado de defender um Islão político, e até radical, ainda que através de um discurso reformista, mas beneficia de uma grande popularidade nos meios muçulmanos conservadores.

Doutorado pela Universidade de Genebra com uma tese sobre o seu avô, fundador da Irmandade Muçulmana no Egipto, Tariq Ramadan é professor de Estudos Islâmicos Contemporâneos em Oxford, no Reino Unido, e dirige um Instituto Islâmico de Formação para a Ética em Paris. É convidado regularmente para falar noutras universidades europeias, mas também em Marrocos, no Qatar e no Japão.

Tariq Ramadan também foi acusado de comunitarismo por defender o uso do véu pelas muçulmanas, ao que respondeu ser defensor dos valores fundadores do Islão e que o uso do véu é uma questão de liberdade individual. Também foi acusado, por alguns, de anti-semitismo, uma acusação que rejeitou em nome do direito à crítica ao Estado de Israel.

Nos livros que escreveu, "Les musulmans d'Occident et l'avenir de l'islam" e "L'islam en question", o teólogo defende um islão reformista. Para ele, a Primavera Árabe foi uma “resposta imparável a todos os que descreveram e pintaram os muçulmanos como impenetráveis às ideias de liberdade e de democracia”.

Em 2015, Tariq Ramadan apelou os muçulmanos em França a terem “um discurso claro sobre o Islão” após os atentados de Paris, mas disse temer que o estado de emergência reforce a sua estigmatização.

Em França, o seu nome surge na esfera pública em 1995. Na sequência dos atentados de então, o ministro do Interior Charles Pasqua proibiu a sua entrada no território. A imprensa francesa comentou que o ministro o teria confundido com o irmão Hani que, mais tarde, justificaria a “sharia” (lei islâmica) e a lapidação de mulheres numa tribuna publicada no jornal Le Monde. A proibição provocou, então, protestos de várias personalidades públicas.