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França: enterro de juiz do caso Grégory

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Jean-Michel Lambert, o juiz do caso Grégory, fotogrado em 2014. AFP/Jean-François Monier

Em França teve lugar hoje no oeste do país o funeral do juiz Jean-Michel Lambert, o primeiro a investigar o chamado "caso Grégory". O suicídio do magistrado foi explicado em cartas póstumas após os últimos avanços da investigação que dura há mais de três décadas.


Este é um caso absolutamente fora do comum na justiça francesa: a morte em 1984 de um menino de 4 anos no leste do país continua sem explicação até ao momento.

O juiz Jean-Michel Lambert tinha apenas 32 anos quando o caso lhe foi entregue.

As suspeitas a dada altura tinham recaído sobre vários familiares.

Na altura, foi Jean-Michel Lambert quem revelou à imprensa as acusações da jovem Murielle Bolle, de 15 anos, que tinha apontado o cunhado Bernard Laroche como sendo o raptor da criança.

Porém, dias depois, a adolescente mudou de versão e voltou atrás nas declarações. Entretanto, Bernard Laroche ficou em detenção três meses e acabou por ser libertado por falta de provas, vindo a ser assassinado, já em liberdade, pelo pai da criança.

Há cerca de um mês, o dossier foi reaberto, com um tio-avô e uma tia-avó a serem indiciados por rapto seguido de homicídio.

Murielle Bolle também foi colocada sob custódia e constituída arguida com a mesma acusação.

No dia 28 deste mês, a justiça vai confrontar Murielle Bolle com o testemunho chave do primo que esteve na origem da sua detenção recente.

O primo disse às autoridades que a jovem lhe teria confessado ter dito a verdade quando acusou o tio Bernard Laroche, apesar de depois ter voltado atrás no seu depoimento.

Estas evoluções recentes do caso teriam sido mal digeridas pelo primeiro juiz do caso, que se sentiu de novo colocado em xeque.

Numa série de cartas póstumas deixadas na caixa do correio da vizinha previamente preparadas para serem remetidas a vários interlocutores o juiz admitia querer por fim à vida por "já não ter força para lutar".

O seu funeral decorreu esta manhã na catedral do Mans, oeste da França, perante centenas de pessoas, à saída o caixão foi muito aplaudido.

Uma cerimónia de incineração mais íntima foi organizada à tarde.