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Poluição começa a baixar em Paris

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Thomas SAMSON / AFP

A capital francesa regista um intenso episódio de poluição atmosférica invernal, o pior dos últimos dez anos, que obrigou as autoridades a aplicar a circulação alternada aos automobilistas


A Organização que monitoriza a qualidade do ar na capital francesa tem registado o mais alto nível de poluição invernal dos últimos dez anos. O pico de poluição atinge também outras regiões, nomeadamente, o vale do Ródano e a capital regional de Lyon.

Pelo quarto dia consecutivo e para diminuir o tráfego de veículos e, consequentemente, conter a contaminação atmosférica, as autoridades anunciaram o uso gratuito do transporte público e determinaram uma limitação da circulação de carros na cidade, de acordo com a terminação da placa. Esta medida de circulação alterada em Paris pretende tentar reduzir a poluição em cerca de 30% a 40%.

As actividades escolares ao ar livre foram proibidas durante este pico de poluição, mas há muitos cuidados a ter como aponta a docente da Universidade de Coimbra, especialista em questões ambientais, Helena Freitas, "as pessoas mais velhas, crianças têm de evitar de andar na rua a circular nesses horários. Por exemplo, não abrir as janelas e até ter uma limpeza mais intensa porque as partículas acumulam-se muito na própria habitação, elas não são visíveis ao olho humano."

Na última semana foi ultrapassado o alerta para a poluição por partículas, a partir de 80 microgramas por metro cúbico de partículas finas no ar. No dia 1 de Dezembro registou-se um recorde de poluição, com concentrações máximas de 146 microgramas/m3. Na quarta-feira, 7 de Dezembro, este marco baixou para 91 microgramas/m3.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, a poluição do ar é responsável por 42.000 mortes prematuras na França por ano. As partículas finas são nocivas para a saúde e podem estar na origem de cancros, alergias e doenças respiratórias e cardiovasculares.

"É preciso estar atento porque nós vivemos um momento que, seguramente, será o de transição das grandes cidades. A situação ideal é, de facto, termos a capacidade de descarbonizar a nossa economia; passar a ter cada vez mais viaturas que não usam o combustível fóssil, automóveis limpos, utilizarmos transportes públicos. As cidades têm de trabalhar cada vez mais no sentido de deixar de utilizar combustíveis fósseis", descrever Helena Freitas.

Segundo a Presidente da Câmara Municipal de Paris, Anne Hidalgo, na última semana as consultas de urgência registadas por pediatras por motivos respiratórios aumentaram em 35%.

Helena Freitas, docente da Universidade de Coimbra 09/12/2016 ouvir