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Milhares de migrantes deixam "selva" de Calais

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Milhares de migrantes deixam a "selva" de Calais REUTERS/Pascal Rossignol

Começou esta segunda-feira a evacuação da "selva" de Calais, situada no norte da França. Milhares de migrantes começaram a abandonar o acampamento sem oferecer resistência e sob o olhar atento do enorme dispositivo de segurança que o governo francês enviou para o local.


Debaixo de cobertores e de malas na mão foi assim que os primeiros candidatos à reinstalação se apresentaram esta manhã diante do autocarro que os conduziu para um novo destino. Cinquenta homens, todos sudaneses, foram os primeiros a partir; " Há sete meses que vivia na "selva, eu já não podia mais", explicou Rahim à AFP.

No total são entre 6000 a 8000 migrantes que devem ser realojados em todo o território francês. Serão utilizados 145 autocarros para distribuir os refugiados por cerca de 300 centros de acolhimento, um processo que as autoridades esperam concluir no espaço de uma semana.

Os migrantes que recusem deixar a "selva" e a integrarem os centros de acolhimento, espalhados por todo o país, estarão sujeitos a medidas que poderão terminar na expulsão do país.

"Calma e ordem"

O ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, afirmou que a operação de desmantelamento está a decorrer na "calma e ordem". Esta evacuação vai permitir acabar com o bairro de lata que nasceu há 18 meses e que era habitado por refugiados, na maioria, vindos do Afeganistão, Sudão e Eritreia cujo sonho era atravessar o canal da Mancha para chegar ao Reino Unido.

Tensão entre Paris e Londres

Por resolver permanece a situação dos 1300 menores isolados na "selva" de Calais, dos quais 500 dizem ter familiares no Reino Unido. Na última semana 200 crianças chegaram a Inglaterra, mas a ministra francesa da Habitação, Emmanuelle Coose, criticou as reticências de Londres as acolher. A responsável considerou "escandaloso" que o ministro Bernard Cazeneuve se tenha deslocado por diversas vezes a Inglaterra para que o governo britânico aplica-se o direito internacional.