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Ucrânia inicia retirada de armas pesadas do leste separatista

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A Ucrânia começa a retirar armas pesadas do leste REUTERS/Gleb Garanich

A Ucrânia iniciou nesta quinta-feira (26) a retirada de suas armas pesadas do leste separatista, onde a trégua finalmente parece perdurar, apesar de uma queda de braço constante no plano diplomático. Nas cercanias da cidade de Artemivsk, a 50 quilômetros de Donetsk, centro da insurgência, vários canhões e colunas de soldados ucranianos se deslocavam para oeste, se afastando da zona de combate.


De acordo com o Estado-Maior do exército da Ucrânia, "Kiev iniciou a retirada dos canhões de 100 milímetros da linha de demarcação", o primeiro passo para o recuo total dos equipamentos, que será supervisionado pela Organização para a Cooperação e a Segurança na Europa (OSCE). Esta primeira etapa deve demorar 24 horas e será seguida pela retirada de lança-foguetes e outros armamentos pesados.

Os rebeldes levaram um grupo de jornalistas a Obilné, uma cidade a 20 quilômetros de Donetsk, principal foco de insurreição, para mostrar o que chamaram de "uma retirada de armas pesadas": um combio de 14 canhões de 122 milímetros, além de diversos caminhões, que se dirigiam para a cidade de Starobecheve ao sul. A OSCE não confirmou se foi de fato um recuo ou uma operação de rotina.

O objetivo da retirada das armas, como previsto no acordo assinado em Minsk no dia 12 de fevereiro, é criar uma zona desmilitarizada ao redor do front. A previsão inicial do texto, chancelado por Kiev e separatistas, com mediação de Angela Merkel e François Hollande e supervisão de Vladimir Putin, era que este processo começasse no domingo.

Mas Kiev afirmava que isso não era possível enquanto o cessar-fogo não fosse respeitado. O conflito causou mais de 5,8 mil mortes nos últimos dez meses e pela primeira vez, de quarta para quinta-feira, passaram-se 24 horas sem que ninguém morresse.

Apesar do primeiro dia de otimismo, as autoridades de Kiev avisaram que podem rever o calendário de retirada "a qualquer momento", caso haja tentativas de ataque por parte dos rebeldes. As regiões separatistas continuam sob tensão: drones ucranianos detectaram uma "concentração de tropas inimigas" perto de Mariupol, porto estratégico, que poderia servir de ponte terrestre entre a Rússia e a Crimeia anexadas. Justamente por isso, o ocidente teme que a cidade seja o próximo alvo dos rebeldes.

Tensão diplomática

Os Estados Unidos, particularmente, parecem pouco convencidos da boa vontade da Rússia em apaziguar o conflito. Acusado de armar os rebeldes e enviar tropas e munições para os rebeldes, o Kremlin nega a ingerência. Para o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, a retórica russa não passa de "mentira". Washington e França seguem ameaçando Moscou de novas sanções em caso de desrespeito ao cessar-fogo.

Para Serguei Lavrov, chefe da diplomacia russa, essas ameaças mostram "a má vontade destes protagonistas, os Estados Unidos e a União Europeia, em fazer valer o acordo assinado em Minsk no dia 12". Ele afirmou ainda que "não existe cessar-fogo ideal".