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Cansados da austeridade, portugueses dão vitória à oposição socialista nas municipais

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O líder do Partido Socialista, Antonio José Seguro (esquerda), e o prefeito socialista de Lisboa, Antonio Costa. REUTERS/Jose Manuel Ribeiro

A oposição socialista venceu as eleições municipais de domingo em Portugal e impôs uma derrota considerada histórica ao Partido Social Democrata (PSD) do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho. O governo de centro-direita pagou nas urnas a impopular política de austeridade, que aumentou o desemprego em Portugal.


Resultados parciais em 283 municípios de um total de 308 mostram que o Partido Socialista conquistou 137 prefeituras contra 100 para o PSD, que perdeu 37 municípios, entre eles Porto, Sintra e Vila Nova de Gaia. Em 2009, o PSD e seus aliados ganharam a maioria dos municípios, conquistando 139 prefeituras contra 132 para os socialistas.

Em Lisboa, Antonio Costa, do Partido Socialista, foi reeleito para um terceiro mandato de prefeito. "Estas eleições têm um claro vencedor, o PS. Em todo o país, a maioria dos eleitores manifestou sua recusa à política deste governo", declarou o secretário-geral do PS, José Antonio Seguro.

O primeiro-ministro Passos Coelho admitiu no domingo à noite a "derrota nacional" de seu partido. O PSD perdeu a maioria dos conselhos municipais de vereadores que mantinha sob controle desde 2001. Segundo o premiê, esta derrota foi o "preço" pago pelas medidas de rigor adotadas em seu governo. Apesar da advertência, Passos Coelho disse que pretende manter o programa de austeridade, segundo ele "indispensável para superar a crise econômica e restaurar a confiança e o crescimento em Portugal".

A surpresa destas eleições foram os independentes. Numa votação em que houve 96 candidaturas não partidárias, os independentes conquistaram 11 câmaras de vereadores. No Porto, a maior cidade do norte do país, o candidato independente Rui Moreira venceu adversários do PSD e do PS.

As eleições foram realizadas sob o olhar atento da "troica", formada pela União Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional (FMI), que estão em Lisboa por duas semanas para uma análise mais aprofundada do plano de ajuda de 78 bilhões de euros concedido ao país desde 2011.

O vice-primeiro-ministro Paulo Portas, principal interlocutor da troica, e defensor de um abrandamento da austeridade, saiu revigorado das eleições. Seu partido, o CDS (conservador), parceiro de coalizão do PSD, conquistou cinco municípios contra um na eleição anterior.

Muitos portugueses optaram pela abstenção ou o voto em branco para mostrar seu descontentamento com a classe política.

Extrema-direita cresce na Áustria

Na Áustria, o chanceler Werner Faymann, à frente de uma grande coalizão social-democrata, venceu as legislativas deste domingo, mas seu partido teve o pior desempenho das últimas décadas, com 27% dos votos, dois pontos a menos que no pleito anterior.

A votação confirmou a ascensão da extrema-direita no parlamento austríaco, que ganhou quatro pontos acumulando 21,4% dos votos.