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João Lourenço: Promessas ou reformas?

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João Lourenço, Presidente angolano. Imagem de arquivo: 25 de Maio de 2019. Michele Spatari / AFP

O combate à corrupção e o fim da impunidade marcam os dois anos de governação do Presidente João Lourenço. Em entrevista à agência de notícias Lusa, Rafael Marques, jornalista de investigação, afirma que há um maior espaço de liberdade de expressão em Angola, do ponto de vista económico denuncia as medidas “incompetentes” da equipa do chefe de Estado.


A diversificação económica foi uma das promessas que marcou o discurso de tomada de posse do Presidente de Angola, a 26 de Setembro de 2017. Desde que chegou à presidência do país, João Lourenço avançou com a privatização de 195 empresas, entre elas, a Sonangol, Endiama, TAAG, UNITEL.

O chefe de Estado multiplicou as deslocações ao estrangeiro, Alemanha, Cuba, China, França, Rússia,  Portugal, para repetir que Angola está de braços abertos ao investimento estrangeiro.

Dois anos depois de ter chegado ao Palácio da Cidade Alta, João Lourenço ainda não conseguiu criar um ambiente de negócios capaz de criar postos de trabalho e a situação económica do país “agrava-se cada vez mais”.

Em entrevista à agência de notícias Lusa, Rafael Marques, jornalista de investigação, admite que dois anos é um período demasiado curto para grandes transformações, todavia reconhece que a equipa económica do Presidente angolano é “incompetente”.

“São incompetentes e não vão ajudá-lo a levar o país a bom-porto (…) às vezes até parece que estão a sabotar a sua própria agenda”, refere.

O jornalista de investigação alega ainda que os últimos vinte e quatro meses ficaram marcados com o fim da impunidade, com os julgamentos de várias figuras ligadas ao regime, porém destaca que João Lourenço ainda não conseguiu controlar os níveis de corrupção no governo.

“Os dirigentes começaram a ser julgados e isto dá um exemplo bom. Mas até que ponto esse tipo de processos poderá efectivamente combater a corrupção é um ponto de interrogação. Porquê? Porque continua a haver muita corrupção no governo e nota-se que o Presidente não tem mecanismos claros de controlo dos níveis de corrupção no seu próprio governo”, esclarece.

Rafael Marques reconhece que existe, actualmente, um maior espaço de liberdade de expressão em Angola. “Angola sempre foi uma sociedade que viveu sob o manto do medo e da repressão. Com João Lourenço passou a haver um clima da distinção da repressão e do medo. As pessoas perderam o medo”, concluiu.