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Angola no 149° lugar no ranking do desenvolvimento sustentável

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População atingida pela seca no município dos Gambos, na província da Huila, no sul de Angola, neste 11 de Setembro de 2019. Lusa

Foi divulgado ontem o primeiro relatório da ONU sobre desenvolvimento sustentável. Neste documento elaborado por peritos independentes, foi avaliado o desempenho de 162 países, tomando em consideração os 17 objectivos de desenvolvimento sustentável (ODS) no horizonte 2030 adoptados há quatro anos por mais de 190 países. Estes objectivos incluem indicadores tais como a luta contra a pobreza, a erradicação da fome, a educação, a saúde, as energias renováveis, ou ainda o acesso a água potável e saneamento.


Neste ranking em que os 10 países em melhor posição são membros da União Europeia, destaca-se em primeiro lugar a Dinamarca, com 85,2 pontos, seguida pela Suécia, a Finlândia, a França e a Áustria. Fora da Europa, a Nova Zelândia, em 11ª posição, é o país que melhor tem cumprido os objectivos de desenvolvimento sustentável, segundo os autores deste relatório cuja conclusão essencial é de que um futuro melhor continua a ser possível mas unicamente com a condição de mudar radicalmente as políticas de desenvolvimento.

Acerca dos países lusófonos, exceptuando as situações de Timor-Leste, Guiné-Bissau e Guiné Equatorial que não puderam ser analisadas por falta de dados, os peritos da ONU consideraram que São Tomé e Príncipe, na 95ª posição e Cabo Verde, na 96ª posição, são os países mais sustentáveis da África Subsariana, sendo que Moçambique se situa na 136ª posição. Por fim, Angola ficou na posição 149, este sendo o pior colocado entre os países lusófonos e também ao nível da África Subsariana, cuja média de desempenho é de quase 54 pontos. Angola atinge pouco mais de 51 pontos sobre num máximo de 100 definidos no sistema de avaliação adoptado pelos peritos da ONU.

De acordo com este documento, Angola não cumpre nenhum dos 17 objectivos de desenvolvimento sustentável, sendo que este país enfrenta "grandes desafios" em 13. Isto acontece nomeadamente no respeitante ao combate à pobreza, com 20,4% da população a viver com menos de 1,90 dólares por dia e 42% a viver com menos de 3,20 dólares diários. Outros desafios relacionam-se com a saúde, os peritos citando nomeadamente taxas significativas de mortalidade materno-infantil, sendo que o relatório da ONU considera também "um grande desafio" a luta pela erradicação da fome. Com efeito, de acordo com os dados de que dispunham, a subnutrição afecta 23,9% da população, um panorama que não surpreende Sérgio Calundungo, director-geral da ADRA, ONG de apoio ao desenvolvimento sustentável.

Sérgio Calundungo, director-geral da ADRA em Angola 12/09/2019 ouvir

Refira-se ainda que hoje as Nações Unidas revelaram que morrem 0,5 por 10.000 pessoas por dia em Angola devido às mudanças climáticas. Falando em Luanda no âmbito do primeiro Diálogo Nacional sobre o Fundo Verde para o Clima, Paolo Baladelli, coordenador residente das Nações Unidas em Angola, considerou que é necessária uma "mobilização acelerada de recursos" para estancar as consequências das alterações climáticas. O sul do país, nomeadamente as províncias do Cunene, Cuando-Cubango, Huíla e Namibe estão a conhecer um episódio de seca severa desde finais de 2018, certas populações sofrendo de subnutrição e até fome.