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Angola: 8.000 refugiados de Lóvua regressam à RDC

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Imagem do campo de refugiados de Lóvua, situado a uma centena de kms da fronteira congolesa RFI/Sonia Rolley

 

Cerca de 8 mil dos 23.600 refugiados congoleses iniciaram este fim de semana o seu regresso voluntário de Lóvua à RDC, alegando falta de condições de vida no campo de refugiados da Lunda Norte.


Milhares de refugiados oriundos da República Democrática do Congo, que se encontram no campo de refugiados de Lóvua, na província da Lunda Norte, decidiram unilateralmente este fim de semana (17 e 18/08) iniciar uma marcha de cerca de uma centena de kms, para regressar ao seu país natal, de onde começaram a fugir em Maio de 2017.

Cerca de 8 mil dos 23.600 refugiados existentes no campo de Lóvua, decidiram regressar voluntariamente e sem qualquer apoio, em protesto contra a demora da comissão tripartida, composta por Angola, RDC e Alto Comissariado da ONU para os Refugiados - ACNUR - em criar condições para o seu regresso.

Avelino Miguel, correspondente em Luanda 19/08/2019 ouvir

O ACNUR, Angola e a RDC devem reunir-se de emergência nas próximas horas, para tentar evitar uma crise humanitária, tendo em conta que as condições ainda não estão reunidas, para o regresso dos refugiados na sua maioria provenientes da região congolesa do Kassai.

Em comunicado, o governo provincial da Lunda Norte anunciou que vai tentar demover os refugiados de prosseguirem a marcha até que estejam criadas as condições mínimas logísticas de apoio e prestar o apoio possível aos que decidiram apêsar de tudo regressar, alegando a falta de condições para continuarem em Angola.

Os refugiados que abandonaram a RDC devido aos conflitos entre as forças governamentais e grupos de rebeldes, multiplicaram nos últimos meses os apelos para a criação de condições de segurança para o seu regresso às suas zonas de origem.

Segundo Juliana Ghazi, a responsável do ACNUR em Angola o início do ano lectivo em setembro, os laços culturais e étnicos e a estabilidade desde a eleição em Janeiro do Presidente Félix Tshisekedi, motivaram este regresso, refutando qualquer relação entre este regresso e a falta de condições no campo de refugiados de Lóvua.

Juliana Ghazi afirma que em Lóvua as escolas funcionam regularmente, bem como as clínicas que atendem os refugiados e há distribuição semanal de comida, admitindo no entanto que o regresso por "conta própria complica a situação".

Para se integrar da situação chegou esta segunda-feira (19/08) à província da Lunda Norte uma delegação ministerial angolana integrada pelos ministros da Defesa, Salviano de Jesus Sequeira e da Acção Social, Família e Promoção da Mulher, Faustina Fernandes Alves.

A 29 de Julho após um encontro entre o ACNUR e os governadores da Lunda Norte Ernesto Muangala e do Kassai Martin Malumba, este último garantiu que estavam criadas as condições para o repatriamento dos refugiados, na sequência das mudanças políticas neste país.

Até Junho deste ano o ACNUR estimava que 85% dos refugiados pretendiam regressar voluntariamente à RDC, mas o calendário deveria ser definido posteriormente e até Outubro.

No entanto este começou unilateralmente este sábado (17/08) a escassos dias da reunião quadripartida, que vai juntar esta quarta-feira (21/08) em Luanda, entre outros, os Presidentes de Angola João Lourenço e da RDC Félix Tshisekedi.