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Luanda: Grevistas dos comboios denunciam actuação da polícia

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Imagem de arquivo. CECILE DE COMARMOND / AFP

Trabalhadores grevistas do Caminho-de-Ferro de Luanda denunciam o ferimento de alguns colegas durante a intervenção da polícia para garantir os serviços mínimos durante a paralisação nos comboios de Luanda.


Dezenas de Trabalhadores do Caminho-de-Ferro de Luanda (CFL) tentaram  impedir, esta manhã, a circulação de dois dos seis comboios previstos para arrancar com os serviços mínimos.

O secretário para informação da comissão sindical do Caminho-de-Ferro de Luanda (CFL), Lourenço Contreiras, denunciou que a polícia provocou ferimentos em, pelo menos,12 colegas e deteve outros três durante a operação para tentar garantir os serviços mínimos.

"Fomos invadidos por mais de 300 homens da polícia, mais de 60 oficiais superiores da polícia nacional, brigada canina. Agarraram quatro trabalhadores, sobretudo nós os sindicalistas, fomos pressionados, coagidos, ameaçados a liberar os serviços mínimos a partir de hoje, segunda-feira, contra a nossa vontade", declarou Lourenço Contreiras, num áudio do nosso correspondente Daniel Frederico.

Lourenço Contreiras, Porta-voz dos sindicatos 13/05/2019 ouvir

Já o porta-voz da empresa, Augusto Osório, denunciou uma "chantagem ao Estado" da parte dos grevistas: "Esta greve hoje em dia como chantagem para o Estado. Chantagem para o Estado porque essa greve prejudica diariamente cerca de 6.000 pessoas."

Augusto Osório, Porta-voz da empresa 13/05/2019 ouvir

De acordo com a agência Angop, pelo menos 50 funcionários dos CFL, em greve desde 18 de Abril, impediram, na manhã desta segunda-feira, a saída de um comboio da Estação dos Musseques, com destino à estação de Viana. Entretanto, segundo a agência Lusa, a circulação do comboio foi retomada, chegou a Viana e já regressou à Estação do Bungo, tendo o serviço sido garantido pelas chefias e alguns trabalhadores não grevistas, de acordo com Lourenço Contreiras.

Na sexta-feira, o Conselho de Administração do CFL anunciou o início dos serviços mínimos diários, a partir desta segunda-feira, indicando que está em curso uma requisição civil para garantir o regresso à normalidade da circulação ferroviária. As operações estavam interrompidas devido à greve e contavam apenas com duas composições.

Os trabalhadores do CFL entraram em greve por tempo indeterminado a 18 de Abril, naquela que é a segunda paralisação depois de outra realizada em Janeiro. Os grevistas têm 19 pontos reivindicativos e o principal passa por um aumento salarial na ordem dos 80%.