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Congoleses expulsos de Angola exibem cartões de recenseamento

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380 mil estrangeiros, maioritariamente da República Democrática do Congo, já foram expulsos de Angola. Daniel Frederico/RFI

Centenas de cidadãos "congoleses" revoltados contra a sua expulsão da Lunda Norte, exibem cartões de recenseamento angolanos. A polémica continua assim em torno do repatriamento ou expulsão de 380 mil estrangeiros ilegais desde 25 de Setembro.


Os Cidadãos da RDC reagiram mal à ordem de expulsão de cerca de 380 000 imigrantes ilegais, segundo as autoridades e dizem-se traídos pelo executivo de João Lourenço que, segundo revelaram, lhes permitiu exercer o direito de voto em 2012 e 2017.

Pelo menos 380 mil estrangeiros ilegais saíram de Angola por causa da "Operação Transparência", muitos dos quais levaram crianças nascidas em Angola.

O combate cerrado ao garimpo de diamantes, nas terras da Lunda-Norte e Sul e em outras cinco províncias no Norte e Leste de Angola, para além de travar a imigração ilegal, está também a dividir várias famílias constituídas por milhares de cidadãos estrangeiros que estavam em situação ilegal no país.

Reportagem de Daniel Frederico 21/10/2018 ouvir

A RFI acompanhou no sábado, na Lunda Norte, a Delegação do Ministro de Estado e Chefe da Casa de Seguranaça do Presidente da República, o Ministério do Interior e da Comunicação Social, onde foi constatado o repatriamento. Alguns dos imigrantes, muitos deles da República Democrática do Congo, que diariamente estão a regressar às suas zonas de origem estão a deixar filhos, maridos e mulheres, algumas delas grávidas.

Entre os 380 mil imigrantes que já abandonaram Angola, alguns se faziam acompanhar de crianças, muitas recém-nascidas em território angolano, filhas de congoleses(as) com cidadãos(ãs) angolanos(as). No posto policial da fronteira do Chissanda, no município do Chitato, encontramos estrangeiros que as autoridades colocaram em camiões.

No entanto há congoleses a afirmar que votaram nas eleições angolanas. O

Testemunhos de congoleses repatriados da Lunda Norte 21/10/2018 ouvir

Governo de João Lourenço nega que tenha havido violência no repatriamento destes cidadãos congoleses, que acusam as autoridades de lhes apreender os seus bens.

O ministro de Estado e Chefe de Segurança do Presidente da República, Pedro Sebastião, disse que “não houve qualquer tipo de violência no repatriamento dos cidadãos da RDC". Tal como afirmou o Ministro do Interior, Angelo da Viegas Tavares, em declarações a RFI, e o Comandante geral da Polícia Nacional, Paulo de Almeida.

A "Operação Transparência" começou a 25 de Setembro e tem o término previsto para 2020, visando combater o garimpo de diamantes e a imigração ilegal. A operação decorre em sete províncias, nomeadamente, Malanje, Cuando-Cubango, Lunda-Norte, Lunda-Sul, Bié, Moxico e Zaire.

Reportagem na Lunda Norte de Daniel Frederico, um dos nossos correspondentes em Angola.

Confira aqui em imagens alguns instantâneos do terreno (fotografias de Daniel Frederico) sobre o êxodo de populações e o afluxo à fronteira entre Angola e a RDC.