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Angola: 4 militares julgados pela morte de adolescente

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A área de Luanda continua a ser palco de demolições e de despejos. AFP

Decorre desde ontem em Luanda o julgamento de quatro militares. Estes são suspeitos do assassínio em 2016 de um jovem de 14 anos que se insurgia contra a demolição da casa dos pais nos arredores da capital angolana. A sentença poderia ser lida, no melhor dos casos, nesta sexta-feira.


O jovem Rufino António morreu a 5 de Agosto de 2016 baleado aquando de um protesto contra demolições no bairro Walale, no Zango II, arredores da capital.

A área em causa seria utilizada para a construção do Aeroporto internacional de Luanda, projecto actualmente em curso e que deveria ser concluído em 2020.

O militar que estava na posse da arma que atingiu mortalmente o adolescente aguardou o julgamento em prisão preventiva, três outros militares mantiveram-se em liberdade provisória.

Os quatro começaram a ser ouvidos pelo Tribunal provincial de Luanda nesta terça-feira. O julgamento deve decorrer até esta sexta-feira.

A organização não governamental SOS Habitat providenciou um advogado para o caso e, por intermédio de André Augusto, coordenador da direcção, denuncia ser "prática reiterada das autoridades angolanas em que sempre que há processos de expropriação de espaços fundiários... então ocorrem sempre problemas de assassínios de cidadãos indefesos, mesmo sem constituir nenhum perigo para esses militares".

Esta ong confirmou ainda à RFI o baleamento de duas senhoras pela polícia na semana passada, com em pano de fundo nova situação de despejos, com registo de três outras pessoas feridas.

André Augusto, coordenador da direcção da SOS Habitat acompanha os caso e começa por se referir às suas expectativas quanto ao julgamento do chamado caso "Rufino" esperando que a lei venha a ser cumprida.

André Augusto, coordenador da direcção da SOS Habitat 11/07/2018 ouvir