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Cem pessoas em marcha contra a violência em Angola

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Benjamin SHEPPARD / AFP

Cerca de uma centena de pessoas marchou este sábado, em Luanda, contra a violência e a banalização da criminalidade em Angola. Os manifestantes quiseram alertar contra a corrupção “nas altas esferas de Estado”, homicídios, sequestros, violações sexuais, assaltos à mão armada, execuções sumárias, detenções ilegais e arbitrárias, torturas e desaparecimentos.


A marcha deste sábado, em Luanda, foi convocada pelo Observatório para Coesão Social e Justiça, liderado pelo advogado Zola Ferreira Bambi. O activista indicou que cerca de uma centena de pessoas participou e que o lema era “contra a violência e a banalização da criminalidade”.

O primeiro dos crimes é a corrupção que está nas altas esferas de Estado. Esta provoca que nada funcione e que a questão do desemprego, da saúde, do acesso à educação se estagne e paralise. Ao não haver soluções, claro, vêm os outros crimes: homicídios, sequestros, violações sexuais, assaltos à mão armada e também vêm aqueles crimes - cometidos por pessoas de certa maneira investidas de poder de Estado - como as execuções sumárias que estão a ser cometidas por agentes da polícia ou dos serviços de investigação, a questão das detenções ilegais e arbitrárias, as torturas e um crescimento de desaparecimentos forçosos”, explicou Zola Ferreira Bambi.

O comando provincial de Luanda da polícia tinha admitido, esta semana, que a capital, com quase sete milhões de habitantes, enfrenta uma onda de criminalidade com um grau de violência invulgar, nomeadamente assaltos à mão armada, homicídios e violações sexuais.

Questionado sobre a liberdade de manifestação sob a presidência de João Lourenço, Zola Ferreira Bambi disse que “há mudanças” e que “realmente é meritório ver o posicionamento que teve o gabinete do governador em permitir que se realize” a manifestação, ainda que "as marchas e manifestações não necessitem [de autorização] por Constituição”.

Quanto às medidas do novo presidente contra a violência, Zola Ferreira Bambi afirmou que “há sinais, há promessas”, mas “socialmente a violência está no mesmo ritmo quase do governo anterior”.

Oiça aqui a entrevista.

Zola Ferreira Bambi, Advogado 16/06/2018 ouvir