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"Mãos Livres" denuncia quem transferiu dinheiro para fora

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A associação "Mãos Livres" entregou ontem ao Banco Nacional de Angola a lista de individualidades que alegadamente efectuaram transferências ilegais para o exterior. David Stanley/wikimeda

A associação cívica angolana "Mãos Livres" entregou ontem ao Banco Nacional de Angola, hoje ao Ministério das Finanças e amanhã à Procuradoria-Geral da República uma lista de nomes de pessoas que alegadamente transferiram de forma ilítica dinheiro para o estrangeiro. Entre os visados figuram designadamente o ex-presidente José Eduardo dos Santos, o ex-vice-presidente Manuel Vicente, o antigo Ministro das Finanças José Pedro de Morais, o general Kopelipa, ou ainda o diplomata Elísio de Figueiredo, mas também Pierre Falcone, figura cujo nome esteve envolvido no escândalo Angolagate.


Segundo Salvador Freire, presidente da associação "Mãos Livres", através da compilação de informações a nível interno mas igualmente no exterior com o apoio de outras entidades, este documento de 150 páginas intitulado "Fraude em alta escala" enumera não só os nomes dos supostos infractores, mas igualmente os valores que foram transferidos, as datas em que algumas dessas operações foram efectuadas e as contas para onde transitaram.

A disponibilização destes dados acontece numa altura em que o projecto de lei sobre o repatriamento de capitais está prestes a seguir para o Plenário da Assembleia Nacional para Votação Final Global, na próxima Quinta-feira. Este projecto tem gerado muito debate nas últimas semanas em Angola, tanto mais que o próprio executivo admitiu ter dificuldades em quantificar os valores que foram efectivamente transferidos. De acordo com o relatório da associação "Mãos Livres", para citar apenas um aspecto, após a re-negociação da dívida de Angola com a Rússia, um total de 386 milhões de Dólares (324 milhões de Euros) ficou nas mãos de particulares, no exterior.

Ao garantir ter uma "equipa constituída para receber outras informações" sobre este dossier, Salvador Freire refere ainda que a iniciativa da sua associação visa fazer com que "o governo leve a sério a questão da corrupção em Angola. Se não o fizer, nos não estamos preocupados se o governo faz ou não faz, continuaremos a fazer as nossas investigações", acrescenta ainda o presidente da associação "Mãos Livres".

Salvador Freire, presidente da associação "Mãos Livres" 15/05/2018 ouvir