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RSF: "ódio do jornalismo" ameaça as democracias

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Mapa da liberdade de imprensa no mundo em 2018 segundo a RSF. RSF

O "ódio do jornalismo" ameaça as democracias, esta é a principal conclusão do relatório anual da Repórteres Sem Fronteiras (RSF) sobre a liberdade de imprensa no mundo em que sobressai a preocupação da RSF perante o aumento da hostilidade descomplexada para com os jornalistas nos Estados Unidos mas também e sobretudo na Europa.


No mapa esboçado pela Repórteres Sem Fronteiras, sobressaem algumas linhas de fundo, como o aumento para 21 do número de países cuja situação é considerada "muito grave", um nível nunca visto. Entre estes países figura desde este ano o Iraque em 160° lugar, a par de outros regimes como o Egipto (161°), a China (176°) ou a Coreia do Norte no último lugar da classificação (180°).

Contudo, outra tendência que tem vindo a suscitar preocupação à RSF são os ataques cada vez mais abertos contra os jornalistas e a liberdade de informar não só na América do Sul, na Ásia ou no Médio Oriente onde os ataques podem ira além das agressões verbais, mas também em zonas do globo onde supostamente vigoram democracias. Nos Estados Unidos que desceram dois lugares no ranking e que se encontram doravante em 45ª posição, os jornalistas são qualificados de "inimigos do povo" pelo Presidente Trump. Na Europa também, designadamente na República Checa, na Eslováquia, na Sérvia, os jornalistas são alvo de ataques verbais e ameaças por parte dos responsáveis políticos, o caso mais emblemático tendo ocorrido recentemente em Malta onde, em Outubro 2017, a jornalista anticorrupção Daphne Caruana Galizia foi assassinada. No espaço de um ano, Malta caiu 18 lugares para a posição 65 no Ranking, a descida mais importante a nível do continente europeu.

Em França, que subiu 6 pontos para 33° lugar em relação ao ano passado, a RSF observa que aumentaram os ataques verbais por parte de responsáveis políticos contra os jornalistas, designadamente durante o período eleitoral do ano passado, esta organização apontando igualmente que "a paisagem mediática francesa é amplamente dominada por grandes grupos industriais cujos interesses estão em outros sectores " e que "essa situação leva a conflitos que fazem pairar uma ameaça sobre a independência editorial, e até mesmo sobre a situação económica dos medias". Relativamente à situação de Portugal, que subiu 4 pontos para se encontrar agora no 14° lugar, a RSF constata que existe uma "atmosfera cada vez mais apaziguada" para o exercício da profissão. Contudo, a ONG observa que "a difamação e a injúria ainda são criminalizadas, apesar das repetidas condenações de Portugal diante do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos por atentado à liberdade de expressão".

Noutros pontos do globo, nomeadamente o continente Africano que surge em 3° lugar em termos regionais, a RSF denuncia as dificuldades para os profissionais fazerem jornalismo de investigação. Relativamente à África Lusófona, a RSF, que não menciona o caso de São Tomé e Príncipe, coloca em 29° lugar Cabo Verde (menos dois pontos) explicando que "os medias independentes têm dificuldade em emancipar-se devido às magras receitas publicitárias e subvenções do Estado." Em 83° lugar, surge a Guiné-Bissau que baixou 6 pontos, RSF referindo nomeadamente que o "impasse político favoreceu a ingerência do Estado nos medias estatais, cujos directores foram substituídos". Acerca de Moçambique, que baixou 6 lugares e encontra-se agora em 99ª posição, a RSF observa que "a imprensa está carente de recursos e de formação" e que "os jornalistas que desagradam às autoridades continuam a ser alvo de ameaças e de intimidação e acabam por recorrer à autocensura, especialmente nas zonas rurais." Em 121ª posição surge entretanto Angola que subiu 4 lugares comparativamente ao ano passado, a RSF comentando que "ainda que a chegada ao poder do novo presidente, João Lourenço, em Setembro de 2017, tenha colocado fim a 40 anos de reinado da família Santos, a quase totalidade dos medias angolanos permanece sob controlo do governo e do partido no poder."

De referir ainda que logo antes do último lugar onde se encontra a Coreia do Norte, surge um país africano, a Eritreia (179°) sobre a qual a RSF escreve que "Há 26 anos que a Eritreia é uma ditadura onde a informação não é admitida. Actualmente, pelo menos 11 jornalistas estão presos", sublinha ainda a ONG.