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“África chocada com as declarações de Trump”

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Nelson Mandela Hall, sede da União Africana, Addis Abeba RFI/Neidy Ribeiro

Arrancou esta manhã em Addis Abeba, Etiópia, o 32° conselho executivo dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Africana. No discurso de abertura, o Presidente da Comissão da UA, Moussa Faki, condenou as últimas declarações do Presidente dos EUA, Donald Trump, sobre o continente africano.


Moussa Faki disse que as afirmações de Donald Trump são de “exclusão” para com o continente africano, numa alusão à expressão “países de merda” utilizada por Trump ao se referir a alguns países africanos.

“As declarações do Presidente dos Estados Unidos deixaram-nos profundamente chocados pela mensagem de desprezo, raiva e desejo de marginalização e exclusão do continente africano”, referiu.

O presidente da Comissão da União Africana lamentou ainda decisão do chefe de Estado dos EUA sobre Jerusalém e a redução das contribuições para o orçamento das missões de manutenção de paz à escala mundial.

“Corrupção é uma doença endémica”

No ano dedicado à luta contra a corrupção, o presidente da Comissão da UA sublinhou que a corrupção é uma “doença endémica que impossibilita a transformação do continente”.

Numa referência ao relatório Mbeki, Moussa Faki, lembrou que todos os anos se perdem 50 mil milhões de dólares em fluxos financeiros ilícitos. “Se esses recursos forem investidos em África poderíamos responder às necessidades do continente”, garantiu.

Luta contra o terrorismo

O representante da Comissão União Africana reiterou a determinação da organização na luta contra o terrorismo, afirmando a necessidade de os Estados financiarem as forças de manutenção de paz. “2018 será o ano de uma acção colectiva dos Estados membros na luta contra o terrorismo. O objectivo é que até 2020 a organização financie 25% das forças de manutenção de paz do continente”, precisou.

Reforma da UA

O chefe de Estado do Ruanda assume, a partir deste mês, a presidência rotativa da União Africana. Paul Kagame prepara desde 2015 uma reforma estrutural da organização que assenta, entre outras, na independência financeira, na manutenção de paz e segurança e na criação de uma zona de comércio livre no continente. “Sem independência financeira, África não é nada”, acrescentou Moussa Faki.

Todavia, a reforma da União Africana tem sido contestada por alguns Estados membros, nomeadamente pelos países que integram a SADC, que apresentaram algumas reservas nas questões relacionadas com taxação de 0,2 % nas importações de produtos diversos e na composição da “troika” que deverá representar a UA em cimeiras com os parceiros da organização pan-africana.

Em declarações à RFI, o ministro das Relações Exteriores de Angola, Manuel Augusto, reconheceu a existência de “alguns detalhes técnicos que têm de ser analisados, porém admitiu que “a SADC, em nosso entendimento, não pretende ser uma força de bloqueio”.