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Angola FLEC Cabinda Ataques

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Cabinda: FLEC-FAC reivindica a morte ontem 9 militares das FAA

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Bandeira da FLEC - Frente de Libertação do Estado de Cabinda

Num comunicado datado de hoje, as Forças Armadas de Cabinda, FLEC-FAC, reivindicam a morte ontem na zona de Necuto, no norte do enclave, de 9 militares das Forças Armadas Angolanas em dois ataques distintos, admitindo por outro lado duas baixas nas suas fileiras, depois da reivindicação da morte de 18 outros militares angolanos entre os dias 3 e 10 de Fevereiro.


No comunicado desta quarta-feira, as FLEC-FAC apelam ainda ao boicote das eleições gerais angolanas agendadas para Agosto deste ano e avisam "todos os partidos políticos angolanos sem excepção, que não os querem a fazer campanha eleitoral em Cabinda, porque Cabinda não é Angola". Este mesmo argumento é também utilizado pelas FLEC-FAC nos anteriores comunicados de guerra que divulgaram nos últimos dias em que proíbem a exploração da madeira bem como do ouro no território, por "Cabinda continuar em guerra".

Ao referir que a multiplicação dos ataques visa obrigar o executivo angolano a negociar com os independentistas de Cabinda, o Tenente-General Afonso Nzau, chefe da brigada de Maiombe Sul das FLEC-FAC, considera que "o mundo deveria ver este problema porque o povo de Cabinda está a sofrer muito". Referindo-se ao comunicado em que as FLEC-FAC instam os partidos políticos angolanos a não virem fazer a sua campanha eleitoral em Cabinda, este responsável refere que se o fizerem "não serão bem acolhidos".

Tenente-General Afonso Nzau, chefe da brigada de Maiombe Sul nas FLEC-FAC 15/02/2017 ouvir

Refira-se que durante o ano passado, as FLEC-FAC reivindicaram uma série de ataques que segundo as suas contas poderiam ter causado a morte de cerca de cinquenta pessoas, um balanço que tem sido desmentido pelas autoridades angolanas. No passado mês de Outubro, o ministro angolano do Interior declarou que a situação no enclave é estável. No mesmo sentido, o chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas Angolanas declarou em Agosto que os guerrilheiros de Cabinda "estão a sonhar". Só muito recentemente, ainda neste mês, Bento Bembe, secretário de Estado para os Direitos Humanos, reconheceu que existem acções militares em Cabinda mas qualificou de "suicídio" a continuação das hostilidades.