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Depois da maconha, Colômbia quer liberar Ecstasy e LSD

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As drogas sintética podem ser descriminalizadas na Colômbia. by-nc-sa/2.0/ Tiagø Ribeiro

A Colômbia vai apresentar um projeto de lei para descriminalizar as chamadas drogas sintéticas. O país, um dos maiores produtores mundiais de cocaína e maconha, já possui há duas décadas um dispositivo que autoriza o uso de pequenas doses de algumas drogas naturais, e pretende discutir a ampliação do sistema no Parlamento em março.


Desde 1994 a legislação colombiana autoriza a possessão e o consumo de até 20 gramas de maconha e um grama de cocaína. Com uma produção anual de mais de 300 toneladas, a Colômbia é, junto com o Peru, o primeiro produtor mundial desse tipo de substância. No entanto, o governo pretende ampliar esse dispositivo e descriminalizar as chamadas drogas sintéticas, grupo formado pelas anfetaminas, metanfetaminas, barbitúricos, ecstasy e LSD. O projeto de lei, que pretende autorizar o uso de uma “dose mínina” desses entorpecentes, será discutido no Parlamento em março. 

“Nós devemos aceitar o fato que a Colômbia é um país consumidor, essa é nossa realidade”, declarou a ministra colombiana da Justiça, Ruth Stella Correa. Ela insiste na importância de ações de repressão contra os traficantes, mas explica que as autoridades não podem continuar colocando os consumidores na prisão. “Precisamos curá-los, traze-los de volta para a sociedade e dar oportunidades”, defendeu a representante do governo.

A Colômbia já havia adotado, em junho de 2012, uma lei confirmando que a dependência química é uma questão de saúde pública. O texto defende que os toxicomaníacos devem ser considerados como pacientes, e não como delinquentes.

A nova lei sobre as entorpecentes faz parte de um plano de reformas políticas sobre as drogas, um dos principais desafios do presidente colombiano Juan Manuel Santos, que defendo uma nova abordagem mundial do tema. O projeto, criticado pelas forças políticas do país, é visto como um avanço por alguns especialistas.

Com 46 milhões de habitantes, a Colômbia conta com 450 mil consumidores de maconha, 140 mil usuários de cocaína, 31 mil de ecstasy, 3 mil dependentes em heroína e cerca de 34 mil consomem frequentemente o “bazuko”, um derivado da cocaína.