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Conselho Militar de Transição sudanês enfrenta a rua

Por Liliana Henriques

No Sudão, cerca de uma semana depois de o exército ter deposto o Presidente Omar el Bechir chegado ao poder através de um Golpe de Estado em 1989, a instabilidade continua a ser predominante. Apesar de o Conselho Militar de Transição ter anunciado a transferência do Presidente deposto para uma prisão do norte de Cartum, as manifestações continuam para reclamar a restituição do poder aos civis, pairando o risco de uma repressão com consequências imprevisíveis.

Esta situação não deixa de suscitar preocupação a nível nomeadamente do Conselho de Segurança da ONU que, depois de uma infrutífera reunião no final da semana passada, se reúne novamente esta Quarta-feira para reflectir sobre esta problemática, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, tendo inclusivamente nomeado ontem um emissário para o Sudão no intuito de ajudar a União Africana a conduzir uma mediação naquele país.

Também preocupados estão a União Africana que ameaça suspender o Sudão no caso de o poder não ser restituído aos civis, a União Europeia que diz esperar que seja instalado "um governo civil" ou ainda os Estados Unidos que se declaram dispostos a retirar o Sudão da sua lista de países acusados de apoiar o terrorismo, no caso do Conselho Militar encaminhar uma "mudança fundamental" de postura.

A comunidade internacional e designadamente ONGs de defesa dos Direitos Humanos como a Amnistia Internacional também reclamam a extradição de Omar el Bechir para o Tribunal Pena Internacional, o Presidente deposto sendo acusado de Crimes de Guerra e Crimes contra a Humanidade pela sua actuação no conflito vigente no Darfur, no oeste do país, desde 2003. Todavia, o Conselho Militar de Transição não tem dado sinais de pretender entregar o Presidente deposto ao Tribunal de Haia, tendo indicado apenas que esta será uma decisão a ser tomada por um poder civil.

Do outro lado do xadrez político internacional, a Arábia Saudita, antiga aliada do regime de Omar el Bechir, oficializou no fim-de-semana o seu apoio aos novos donos do poder em Cartum, com a promessa de entregar ajuda humanitária ao país devastado pela crise económica e anos de isolamento internacional. Nesta Terça-feira, o rei Salman da Arábia Saudita recebeu em Riade o Príncipe herdeiro de Abu Dhabi com o objectivo de discutir precisamente sobre esta crise. Para a Arábia Saudita, a estabilidade do Sudão é um imperativo, este país fornecendo uma parte substancial das tropas terrestres que estão envolvidas no conflito iemenita desde 2015, sob o comando de Riade.

Em entrevista com a RFI, Manuel João Ramos, investigador do Centro de Estudos Africanos no ISCTE, especialista do Corno de África, analisou os vários interesses em jogo nesta crise.

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