rfi

No ar
  • RFI em Português
  • Noticiário em Português
  • RFI Mundo

Argélia Eleição presidencial Abdelaziz Bouteflika Eleição Petróleo Produtor de petróleo Gás

Publicado a • Modificado a

Argélia: 5° mandato para Bouteflika com 81 anos

media
Presidente argelino Abdelaziz Bouteflika, no poder desde 1999 é candidato a um 5° mandato RYAD KRAMDI / AFP

Presidente argelino Abdelaziz Bouteflika, com 81 anos de idade, no poder desde 1999 e cuja saúde está muito debilitada, é candidato a um 5° mandato nas eleições de 18 de Abril, cujas candidaturas terminam a 3 de Março com, neste momento, apenas dois outros candidatos em liça.


Abdelaziz Bouteflika é o candidato hiper-favorito, apesar dos seus 81 anos, de estar paralisado, em cadeira de rodas e quase mudo desde que sofreu um AVC em 2013.

A sua candidatura que põe termo à onda de especulações devido precisamente ao seu silêncio, foi apresentada este domingo (10/02) em comunicado à Nação, e confirmada pelo seu partido a Frente de Libertação Nacional - FLN - num mega comício no estádio de Argel, defendendo Bouteflika como o homem que conseguiu impor a paz civil ao cabo de mais de 10 anos de sangrentos confrontos e que não precisa de fazer campanha porque "o povo o conhece".

Mas desde 2 de Fevereiro além da FNL, três outros partidos tinham anunciado apoiar Abdelaziz Bouteflika : a Uniao Nacional Democrática, Movimento Popular Argelino e Tadjamoune Amel El Djazair.

Abdelaziz Bouteflika, 81 anos é candidato a um 5° mandato 11/02/2019 ouvir

Bouteflika, na sua mensagem, admite "não possuir a mesma força física do que antes, mas tem a vontade inabalável de servir a Pátria, o que lhe permite transcender as debilidades ligadas aos seus problemas de saùde", promete, em caso de eleição, "convocar uma conferência nacional inclusiva, reunindo todas as forças políticas, económicas e sociais da Argélia, no intuito de estabelecer um consenso sobre as reformas e mudanças necessárias...que poderão culminar numa alteração da Constituição", como aliás já o tinha prometido quando foi reeleito em 2014.

O Presidente cessante defende, entre outros, uma maior presença dos jovens nas instituções políticas, a sua vontade de vencer o flagelo da burocracia e de implemantar mecanismos de democracia participativa, ou ainda reformas económicas sem pragmatismo.

No poder desde 1999, e sempre eleito com mais de 80% de votos o que tem sido sistematicamente denunciado como fraude pela oposiçao, as poderosas Forças Armadas, são o verdadeiro pilar que sustenta Bouteflika e sobretudo o seu Chefe de Estado Maior, general Ahmed Gaïd Salah, que sempre se negou a opor-se a um quinto mandato presidencial.

Já a campanha eleitoral em 2014 foi marcada pela ausência total de Bouteflika, incapaz de se dirigir aos seus apoiantes, o antigo primeiro-ministro Abdelmalek Sellal será pela quarta-vez consecutiva o seu director de campanha, depois de 2004,2009 e 2014.

Para os seus defensores, Bouteflika foi o artesão do regresso à paz na Argélia, após 10 anos de confrontos sangrentos e com a subida do preço do petróleo entre 2004 e 2014 ele lançou importantes programas de infraestruturas e reduziu para 2% do PIB a dívida externa da Argélia, mas este seu quarto mandato foi marcado pela baixa do preço do petróleo e o desemprego atinge um terço dos jovens com menos de 25 anos.

A data para apresentação de candidaturas termina a 3 de Março mas do lado da oposição para quem Bouteflika está inapto a conduzir os destinos do país, conhecem-se apenas para jà dois candidatos: Abderrazak Makri líder do Movimento da Sociedade para a Paz - o principal partido islâmico - e o major-general na reserva Ali Ghediri, apoiado pelo Movimento Mouwatana - Cidadania Democracia - que integra a União para a Mudança liderada por Zoubida Assoul.

O seu principal adversário em 2004 e 2014 e seu antigo-primeiro ministro Ali Benflis ainda não se pronunciou sobre uma eventual candidatura, nem tão pouco o seu partido Vanguarda das Liberdades.

Para alguns analistas, esta quinta candidatura de Abdelaziz Bouteflika designado pleos seus apoiantes como "o líder bem amado" é um mero artifício destinado a dar tempo à nomenclatura civil e militar para preparar a sucessão de Bouteflika e entretanto se apoderar das riquezas da Argélia que é o 3° produtor de petróleo em África e o 9° de gás a nível mundial.

A última vez que Abdelaziz Bouteflika apareceu em público foi a 1 de Novembro de 2018.