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Zimbabué Contestação Crise política Economia Inflação Preço combustíveis Emmerson Mnangagwa

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Onda de contestação no Zimbabué

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Harare no dia 14 de Janeiro de 2019. REUTERS/Philimon Bulawayo

Pelo menos 3 mortos, 8 segundo a ONG Amnistia Internacional, em confrontos com a polícia durante manifestações anti-governo, no âmbito de uma greve geral de 3 dias convocada desde o começo da semana contra o aumento de 250% do preço dos combustíveis, anunciado no Sábado pelo Presidente Emmerson Mnangagwa, que entretanto se deslocou ao exterior de onde apelou à calma.


Desde Segunda-feira, o Zimbabué tem estado praticamente bloqueado, com transportes e comércios parados bem como a internet interrompida desde ontem, em resultado da greve geral convocada pela sociedade civil e certos sindicatos para protestar contra a decisão de duplicar o preço do combustível num país já flagelado pela crise económica e uma inflação galopante.

De acordo com dados oficiais, a repressão das manifestações em vários pontos do país, com barricadas e incêndios em algumas delas, foram marcadas pela morte de 3 pessoas, entre as quais um agente policial. Todavia, certas ONGs, entre as quais a Amnistia Internacional, apontam para 8 mortos, sendo que a Associação dos Médicos do Zimbabué pelos Direitos do Homem que, por sua por sua vez fala em 5 a 10 mortos, recenseou mais de 100 feridos, alguns deles alvejados, outros espancados ou até torturados.

No quadro da repressão das manifestações, foram igualmente presas pelo menos 200 pessoas, entre as quais figuras da oposição e da sociedade civil, designadamente o Pastor Mawarire, conhecido pelas suas posições contra o governo, detido ontem na sua residência em Harare, a capital.

Tomando pela primeira vez a palavra desde o começo da greve, o Presidente zimbabueano, actualmente em digressão no estrangeiro, apelou à calma e disse que "não existe nenhuma justificação para a violência" e que a seu ver "a violência não vai reformar a economia do país e não reconstruirá a Nação". Uma mensagem à qual a Amnistia Internacional respondeu dizendo que "os ataques contra os bens não justificam o recurso a tiros com balas reais, espancamentos e detenções massivas".

Ainda hoje o país estava a funcionar a meio gás, segundo refere António Simões, português residente em Harare, para quem é difícil por enquanto vislumbrar como poderá evoluir a situação.

António Simões, residente português em Harare, capital do Zimbabué 17/01/2019 ouvir

O Zimbabué tem sido palco de uma crescente instabilidade política desde o passado mês de Outubro, com uma manifestação contra a inflação organizada no passado 11 de Outubro, seguida por uma marcha da oposição sob forte vigilância policial em finais de Novembro e uma série de greves, nomeadamente dos professores e dos médicos, desde o começo deste ano.

Dirigido com mão de ferro por Robert Mugabe durante 37 anos, desde 1980 até 2017, primeiro como chefe do governo e depois como Presidente, o Zimbabué tem sido dirigido desde o seu afastamento em Novembro 2017, por um dos seus antigos ministros, Emmerson Mnangagwa, entretanto confirmado no cargo de Presidente da República no passado mês de Agosto, durante um processo eleitoral alvo de contestações.