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RFI e grupo de mídias investigam sobre fraudes na RDC

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Candidato Martin Fayulu às presidenciais na RDC durante reunião em Kinshasa, a 11 de janeiro. © REUTERS/Baz Ratner

Enquanto a RDC vive a primeira alternância da sua história depois das eleições gerais, nomeadamente, presidencial, de 30 de dezembro de 2018, cujos resultados são contestados, eis, que a imprensa internacional, nomeadamente, a RFI, teve acesso a fugas de 2 documentos esclarecendo o processo eleitoral. Dois documentos excepcionais que indicam sobretudo que o vencedor não é aquele anunciado pela Commissão eleitoral.


O antigo governador de Katanga, na RDC, Moîse Katumbi, fez, no último fim-de-semana, um périplo pelas Áfricas central e austral, levando na mala, um documento de 4 páginas intitulado "A verdade das urnas", atribuído à Comissão eleitoral. Um 1° de dois documentos analisados pela RFI e outras mídias.  

Enquanto o candidato que apoiou, Martin Fayulu, anunciava que ia recorrer para o Tribunal constitucional, o opositor, Moïse Katumbi, partia para convencer certos parceiros da RDC que havia necessidade duma recontagem dos votos, persuadido de que Martin Fayulu, ganhou largamente a eleição presidencial. 

Segundo as bases de dados, analisadas pelos meios de comunicação social internacionais, o jornal Financial Times, a televisão TV5 Monde e a Rádio França Internacional, em colaboração com a GEC, Grupo de estudos sobre o Congo, quer provenientes da Conferência episcopal, quer da Comissão nacional eleitoral independente, CENI, o quase desconhecido, Fayulu, poderia ter obtido entre 59% e  62% dos sufrágios expressos na eleição presidencial.

Estaria, portanto, à frente do seu principal concorrente Félix Tshisekedi, proclamado vencedor da eleição presidencial, com 38,57% dos votos pela Comissão eleitoral congolesa, na noite de 10 de janeiro 2019.

Contactado por telefone, nenhum responsável da CENI, desejou comentar directamente estas informações, nota, a jornalista da RFI, Sonia Rolley, que acompanhou este tema com os seus colegas dos outros meios de comunicação.

Há um ponto em que toda a gente está de acordo é a pesada derrota do candidato do poder, Emmanuel Ramazani Shadary, que ficou em terceiro lugar nas eleições presidenciais da RDC.

Segundo documento dá também vitória a Fayulu

O segundo documento inédito é uma base de dados de 2 064 páginas foi divulgados por movimentos de cidadãos. Um lançador de alerta teria provocado a fuga do documento do servidor da Comissão eleitoral em Kinshasa para denunciar um "hold-up eleitoral" de mais de 3 milhões de votos pertencentes a Martin Fayulu, mas desviados para beneficiar os seus dois concorrentes, Félix Tshisekedi e Emmanuel Ramazani Shadary.

De notar enfim, que desde o périplo do opositor, Moïse Katumbi, às Áfricas central e austral e a proclamação dos resultados das eleições legislativas, o Presidente da Zâmbia, Edgar Lungu, sugeriu, a 13 de janeiro de 2019, surpreendendo toda a gente,  uma recontagem dos boletins de voto e apelou à instalação de um governo de união nacional da RDC.