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RDC sem internet até 6 de Janeiro

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Contagem de votos em Goma 30/12/2018 PATRICK MEINHARDT / AFP

Internet e SMS estão bloqueados na República Democrática do Congo até 6 de janeiro, dia em que a CENI deverá anunciar os resultados provisórios das eleições gerais de 30 de dezembro.


Desde esta segunda-feira (31/12) e até dia 6 de janeiro a rede internet e os serviços de mensagens estão bloqueados em todo o território da República Democrática do Congo, bem como a difusão da RFI neste país.

Para as autoridades congolesas este bloqueio tem o objectivo de "preservar a ordem pública...dado que começaram a circular resultados ficícios...que nos poderiam conduzir ao caos", afirmou Kikaya bin Karubi, um dos conselheiros do Presidente Joseph Kabila.

Certo é que o corte da internet apanhou todos de surpresa, incluindo os actores económicos como bancos e outras instituições não financeiras, que não foram avisados.

A oposição que clama vitória, considera este bloqueio liberticida, denuncia fraudes massivas, acusando o poder cessante de conspirar, para garantir a vitória do seu candidato, o antigo ministro do interior Emmanuel Ramazani Shadari, face aos opositores Martin Fayulu dado como favorito nas presidenciais e Félix Tshisekedi.

 

O calendário eleitoral prevê que dia 6 de janeiro sejam divulgados os resultados provisórios das eleições gerais de 30 de dezembro, que além de designarem o sucessor do Presidente Jospeh Kabila (no poder desde 2001) e que deverá tomar posse a 18 de janeiro, vão determinar quem serão os 500 membros do parlamento e os deputados locais para as 26 províncias do país, incluindo a capital Kinshasa, um total de 780 deputados serão eleitos.

Em comunicado conjunto esta terça-feira (1/01) a União Europeia e os Estados Unidos pedem às autoridades congolesas que desbloqueiem a rede internet e o acesso aos media e a presença de observadores no centro de compilação dos resultados eleitorais.

O cidadão português Paulo Belchior residente há cinco anos em Kinshasa, admite que a situação é "complicada para a comunidade" e segundo ele o "bloqueio da internet poderá durar até ao final de janeiro", pois "quando há perigo de usar as redes sociais para causar alguns distúrbios, o governo pura e simplesmente corta".

Já o cidadão angolano António Alexandre Nzita, que reside há mais de 40 anos na República Democrática do Congo, onde começou por ser refugiado é mais peremptório, considerando que o bloqueio da internet significa que "eles querem fazer fraude" porque as eleições "não passaram bem...devido à falta de máquinas e eles não querem que isso se saiba no mundo inteiro".