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África e França determinados em lutar contra o terrorismo

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Foto de família da cimeira da União africana. RFI/Paulina Zidi

A União Africana acolheu no dia de encerramento da sua cimeira na capital mauritaniana o presidente francês. Emmanuel Macron reafirmou nesta terça-feira a determinação de Paris em apoiar o G5 Sahel, dispositivo militar operacional de há um ano a esta parte, de novo alvo de atentados esta semana no Mali e no Niger.


Os cinco chefes de Estado africanos das forças do G5 Sahel reuniram-se com Emmanuel Macron em Nouakchott após os ataques jihadistas de sexta-feira última em Sévaré, no centro do Mali, e também de domingo, visando o quartel general do dispositivo.

O G5 Sahel engloba a Mauritânia, o Mali, o Burkina Faso, o Níger e o Chade pretende ser uma resposta regional ao terrorismo e apoia-se na operação militar francesa Barkhane em curso.

Um dispositivo que padece de problemas de financiamento. A ideia seria que 75% do financiamento viesse a prazo da comunidade internacional, com os restantes 25% a chegarem dos próprios africanos.

O chefe de Estado da França reafirmou em Nouakchott o compromisso do seu país em prol da estabilização em África.

Emmanuel Macron, presidente francês 03/07/2018 ouvir

"Faço questão em reafirmar aqui o compromisso pleno da França e, nomeadamente, dos nossos militares, na luta contra o terrorismo, através do dispositivo Barkhane.

Os militares franceses que aí foram feridos já foram transferidos para a França.

Mantêmo-nos plenamente comprometidos com esta batalha que havemos de ganhar juntos.

E havemos de a ganhar através deste compromisso, deste empenho militar, através da coordenação da política de segurança.

Mas havemos também de a ganhar através de um trabalho diplomático que virá a ser um apoio.

Procura-se uma melhor articulação das operações militares, precisamente, sob autoridade africana e das operações de manutenção da paz.

E também através de um investimento em termos de desenvolvimento, nos domínios da educação.

Ou seja deixando estanques as condições de desenvolvimento em relação ao jihadismo e a todas as formas de terrorismo."

Emmanuel Macron, presidente francês 03/07/2018 ouvir

Entretanto Emmanuel Macron deslocou-se já para a Nigéria, segunda etapa do seu périplo africano.

Em Abuja, capital federal do gigante anglófono, Macron avistava-se com Muhammadu Buhari, o seu homólogo, também para abordar questões de segurança, antes de se deslocar a Lagos para um festival.

O chefe de Estado francês que realizara um estágio de seis meses na embaixada gaulesa da Nigéria por conta da Escola nacional de administração.

Por outro lado o cair do pano da cimeira da União Africana acompanhou-se da determinação de Moussa Faki, presidente da Comissão, em rever o relacionamento com a Europa.

Ou seja abandonar o quadro gerido actualmente nos Acordos ACP.

O diplomata chadiano pede a revisão dos acordos entre europeus e africanos, alegando que passaram mais de 40 anos desde a sua entrada em funcionamento.

Para Faki o continente africano tem, ainda por cima, especificidades que o distinguem tanto das Caraíbas como do Pacífico, ao qual tem até agora sido associado no seu relacionamento com Bruxelas.

"Estes acordos datam de 1975, portanto, mais de 40 anos. As nossas relações com a Europa mudaram. A África mudou. Assinámos nos últimos dias um acordo sobre a Zona de comércio livre continental.

Estas relações são relações comerciais e devem ter em conta a nossa visão dos nossos continentes. É a razão pela qual, pensamos e com razãon que temos de ter negociações de continente a continente.

Há problemas que são específicos à África. Acabam de falar da migração. Este problema não diz respeito nem às Caraíbas, nem nem ao Pacífico.

Questões de segurança, questões de luta contra o terrorismo , são questões específicas à África e que estão nas nossas relações com a Europa e tenho a certeza que mesmo certos Estados pensam que estas relações têm de mudar e que não devem ser aqulas de há 40 anos."

Moussa Faki, presidente da Comissão da União Africana 03/07/2018 ouvir