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Etiópia estende a mão à Eritreia

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O primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, anunciou ontem o fim do diferendo fronteiriço com a Eritreia ASHRAF SHAZLY / AFP

O novo primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, anunciou ontem o fim do diferendo fronteiriço com a Eritreia, o levantamento do estado de emergência e a abertura do capital privado às grandes empresas públicas.


A perspectiva de paz com a Eritreia já tinha sido expressa por Abiy Ahmed no discurso de tomada de posse, no passado mês de Abril. Dois meses depois, o regime etíope anunciou em comunicado o fim do diferendo fronteiriço com a Eritreia.

"O governo etíope decidiu aplicar plenamente o acordo de Argel sobre a demarcação da fronteira e estamos a trabalhar na sua concretização completa sem hesitação", escreveu no comunicado a Frente Democrática Revolucionária do Povo Etíope.

No Facebook, a coligação que governa a Etiópia, afirmou igualmente que “o governo da Eritreia deve assumir a mesma posição sem qualquer pré-requisito e aceitar o nosso apelo para trazer de volta a paz há muito perdida entre as duas nações irmãs, como existia antes”.

Resta agora saber se a Eritreia vai aceitar a política da “mão estendida”. A Eritreia obteve a independência em 1993, fazendo perder à Etiópia a única fachada marítima, sobre o mar Vermelho.

Entre 1998 e 2000, os dois vizinhos travaram uma guerra, que provocou pelo menos 80 mil mortos, com a questão da delimitação da fronteira a figurar entre as razões do conflito.
Um acordo de paz foi assinado em 2000, mas não por muito tempo.
Nos anos seguintes, centenas morreram em confrontos periódicos depois da recusa etíope em aceitar uma comissão de fronteira, apoiada pelas Nações Unidas, que dividia o território disputado entre os dois países.

A delimitação definida pela comissão internacional em 2002 deverá ser finalmente aplicada.

Levantamento do Estado de emergência

A coligação no poder anunciou igualmente que os caminhos-de-ferro, os parques industriais e as fábricas poderão no futuro ser privatizadas. A economia etíope, maioritariamente controlada pelo Estado, registou entre 2004 e 2016 um crescimento anual de 10,5%. Todavia, alguns analistas alertaram, nos últimos tempos, para o impacto negativo das restrições impostas por Addis Abeba aos movimentos de divisas estrangeiras.
O Fundo Monetário Internacional prevê que em 2018 a Etiópia deva crescer 8,5%.

Horas antes, o Parlamento etíope votou o levantamento do estado de emergência imposto pelo governo, em Fevereiro, logo a seguir à demissão do antigo primeiro-ministro.