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Portugal também quer respostas da Rússia

Por Carina Branco

O ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal afirmou que são esperadas “iniciativas” das autoridades russas para superar a crise diplomática, na sequência do caso do envenenamento de um ex-espião russo no Reino Unido. Angola, terrorismo, economia e centenário da Primeira Guerra Mundial foram outros dos temas abordados, à margem de uma visita a Paris.

A agenda internacional continua a ser dominada pelas expulsões de diplomatas russos em vários países. Em causa, uma acção concertada em solidariedade com o Reino Unido que apontou o dedo à Rússia no envenenamento do ex-espião russo Serguei Skripal com um gás neurotóxico, a 4 de Março, na cidade inglesa de Salisbury.

Portugal chamou para consultas o seu embaixador em Moscovo mas não expulsou diplomatas russos do território, ao contrário do que fizeram mais de duas dezenas de países, incluindo mais de metade dos Estados membros da União Europeia e os Estados Unidos.

Nós estabilizámos uma primeira reação ao nível europeu e agora esperamos que as autoridades russas tomem iniciativas que permitam superar esta crise”, defendeu Augusto Santos Silva.

Em visita ao salão ‘Global Industrie' - que decorre até sexta-feira no Parque de Exposições de Paris-Nord Villepinte e que conta com cerca de 90 empresas portuguesas em quatro feiras industriais (Midest, Industrie, Tolexpo e SmartIndustries) - o ministro sublinhou a importância crescente de Portugal para França.

Também queria chamar a atenção para um elemento que, às vezes, é pouco pontuado. Portugal também está no top 20 da França, quer do ponto de vista dos clientes, quer do ponto de vista dos fornecedores. Isto é, não é só a França que é importante para nós, nós também somos crescentemente importantes para França”, explicou.

Quase uma semana depois dos ataques no sul de França, em que um português ficou gravemente ferido, Augusto Santos Silva alertou que “o terrorismo é hoje a principal ameaça à paz e segurança no mundo e é também uma ameaça aos portugueses”.

O chefe da diplomacia portuguesa disse, ainda, que o presidente francês, Emmanuel Macron, vai participar, em Abril, nas comemorações do centenário da participação portuguesa na Primeira Guerra Mundial, nomeadamente na comemoração da Batalha de La Lys, ao lado do presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa.

A dois meses da visita do presidente angolano, João Lourenço, a França - e numa altura em que continua o julgamento do ex-vice-Presidente de Angola, Manuel Vicente, em Portugal - Santos Silva também falou sobre as relações entre Portugal e Angola.

As autoridades angolanas dizem que enquanto não se fechar a questão judicial - que é também conhecida - não há condições políticas, do lado angolano, para realizar reuniões ao mais alto nível, isto é, implicando visitas recíprocas, seja ao nível dos presidentes, seja ao nível do primeiro-ministro português”, afirmou, manifestando o desejo que esse “condicionante” seja ultrapassado, ainda que sublinhando que "em Portugal a justiça é independente do poder político".