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Rex Tillerson no enclave estratégico de Jibuti

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Rex Tillerson, chefe da diplomacia dos Estados Unidos REUTERS/Jonathan Ernst

 

Depois da Etiópia, o secretário de Estado norte-americano Rex Tillerson está hoje em Djibouti, sem dúvida a etapa mais estratégica do seu primeiro périplo africano, iniciado quarta-feira em Adis Abeba.


Jibuti é um dos palcos em África da luta de influências entre os Estados Unidos, que lá dispoem da sua única base militar no continente africano e a China, que abriu no ano passado em Jibuti a sua primeira base militar no estrangeiro.

O enclave, antiga colónia francesa, que ocupa uma posição estratégica no sul do Mar Vermelho, alberga igualmente instalações militares francesas e japonesas.

Em 2009 a China ultrapassou os Estados Unidos como primeiro parceiro comercial em África e Rex Tillerson advertiu ontem (8/03) em Adis Abeba queenquanto os interesses americanos vão no sentido do "crescimento sustentável", os investimentos chineses encorajam uma forma de dependência e não criam emprego, tendo afirmado "considerem com cuidado os termos desses investimentos e não renunciem à vossa soberania".

Rex Tillerson em Jibuti 09/03/2018 ouvir

No mês passado Jibuti pôs termo unilateralmente ao contrato de exploração do porto de Doraleh com uma sociedade com sede em Dubai, que é uma das maiores operadoras portuárias no mundo e segundo analistas, poderia vir a ceder este contrato à China, o que poderia expor os 4.000 soldados norte-americanos presentes em Jibuti a consequências "significativas", advertiu esta semana o general Thomas Waldhauser, comandante das forças americanas em África - Africom.

Para apaziguar o continente depois das polémicas declarações proferidas em Janeiro pelo Presidente Donald Trump qualificando de "shithole" ou buracos de merda, várias nações africanas, mas também Haiti e El Salvador, Rex Tillerson anunciou 533 milhões de dólares para assistência humanitária às populações atingidas pela seca e conflitos na Etiópia, Somália, Sudão do Sul, Nigéria e países do Lago Chade.

Este périplo começou quarta-feira (7/03) na Etiópia, onde ontem em Adis Abeba o presidente da Comissão da União Africana Moussa Faki Mahamat afirmou que o incidente "shithole" está ultrapassado.

Depois da Etiópia e Jibuti, Rex Tillerson irá ainda ao Quénia, Chade e Nigéria, com em pano de fundo a luta contra o terrorismo e a segurança e paz em África, mas também o comércio, no momento em que a China, a Rússia e a Turquia reforçam as suas relações diplomáticas e comerciais com o continente africano.

O périplo africano de Rex Tillerson coincide aliás com o do chefe da diplomacia russa Serguëi Labrov, que esta semana visitou Luanda, Maputo, Windoek e Harare e está hoje em Adis Abeba, capital da Etiópia.

De referir que desde a tomada de posse de Donald Trump, não foi ainda nomeado o responsável para África, nem tão pouco embaixadores para cerca de uma dezena de países africanos, entre os quais a RDC, Somália e a África do Sul.