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Demissão África do Sul Jacob Zuma ANC

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Zuma contesta exigência do ANC em demitir-se

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Presidente sul-africano Jacob Zuma na televisão estatal neste 14 de Fevereiro. SABC

Apesar do aumento da pressão do Comité Nacional Executivo do seu partido, o ANC, para se demitir e anunciar a sua decisão já nesta Quarta-Feira, o Presidente da África do Sul deu sinais de resistência e qualificou de "injusta" esta exigência. Já o Congresso Nacional Africano ameaçou avançar amanhã com uma moção de censura contra Jacob Zuma.


Ao falar em directo no canal público de televisão sul-africano naquelas que foram as suas primeiras declarações desde o ultimato Segunda-Feira do ANC, o Presidente Zuma afirmou que o seu partido não deu razões suficientes para que ele deixar o poder. "Eu preciso ser informado sobre o que fiz e, infelizmente, ninguém foi capaz de me dizer o que é que eu fiz e é muito injusto que o assunto seja permanentemente levantado. Ninguém é capaz de apresentar razões claras para a demissão", referiu o Presidente sul-africano. Mais pormenores com Mariamo Hassamo.

Mariamo Hassamo, correspondente da RFI em Joanesburgo 14/02/2018 ouvir

Apesar das contestações do Presidente cujo mandato devia terminar em meados de 2019, no caso de não se demitir pela sua própria iniciativa até amanha de manha, a moção de censura a ser discutida nesta Quinta-Feira à tarde deveria colocar um termo brutal à era Zuma e afastar um eventual cenário de transição pacífica na chefia do Estado.

No poder desde 2009, Jacob Zuma sobreviveu a oito moções de censura e diversos escândalos, designadamente em 2016, quando emergiram revelações sobre a sua alegada proximidade com os Gupta, uma família de magnatas que é suspeita de ter enriquecido de forma fraudulenta com a cumplicidade do Presidente.

Estas suspeitas têm estado a ser investigadas por uma comissão de inquérito parlamentar desde o passado mês de Outubro e precisamente hoje, a polícia anticorrupção efectuou buscas em Joanesburgo na residência dos Gupta assim como na sede da holding da família que estende as suas actividades ao sector mineiro, comunicação ou ainda o sector imobiliário e a aviação. No âmbito dessa operação três pessoas foram detidas.