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Exército senegalês põe em causa a paz diz rebelião na Casamansa

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Ziguinchor, na Casamansa, a 7 janeiro depois do massacre de 16 lenhadores, e de operações do exército senegalês SEYLLOU / AFP

Um dos principais chefes da rebelião na Casamansa, no Senegal, Salif Sadio, advertiu que as operações lançadas pelo exército senegalês depois do massacre de 14 lenhadores poderiam pôr em causa a trégua e mesmo o processo de paz naquela região do sul senegalês. O assassínio foi pretexto para o exército senegalês desencadear operações militares na Casamansa, sublinha o rebelde.


Salif Sadio, um dos chefes da rebelião do movimento das forças democráticas na Casamansa, declarou numa entrevista à agência noticiosa francesa e a uma rádio local, numa região junto à fronteira com a Gâmbia, que a paz pode estar em causa.

O guerrilheiro rebelde da Casamansa, falava depois de operações do exército senegalês contra a rebelião no seguimento da morte de 14 lenhadores, dois deles, guineenses.

Após anos de acalmia, a Casamansa voltou a ser palco de violência no dia 6 deste mês, depois do massacre a sangue frio de 14 lenhadores à procura de madeira na floresta de Bayote, próximo de Zinguinchor, a principal cidade da Casamansa, por homens armados.

O exército senegalês reagiu lançando essas operações contra rebeldes da Casamansa, prendendo 16 dentre eles acusados de assassínio e participar num movimento de rebelião ou por estar na posse de de armas sem autorização.

Pelo menos, um homem armado e um presumível "rebelde" foram mortos por militares senegaleses a 14 e 20 de janeiro, segundo fontes militares.

O Movimento democrático das forças da Casamansa que leva a cabo desde 1982 uma rebelião independentista, observa há " anos uma trégua unilateral, declarou Salif Sadio. O "assassínio não passou de um pretexto para o exército senegalês desencadear operações militares na Casamansa", sublinhou.

Oiçamos, Salif Sadio, a dizer que o seu movimento não tem nada a ver com o massacre dos 14 lenhadores, cuja morte, lamenta:

Salif Sadio, chefe da rebelião na Casamansa, Senegal 24/01/2018 ouvir

"Garanto-vos, que o Movimento das forças democráticas da Casamansa não está implicado! Que fique claro!

É uma acção lamentável, sem dúvida, e não há recusa da minha parte; e porquê, lamentável?

Porque houve morte de homens. Ora, as nossas regras tradicionais, nos proíbem, de humilhar ou de tratar de maneira desajeitada o próprio corpo do seu inimigo.

É um lugar situado  entre bases militares senegalesas. Os lenhadores, esses que vão à floresta, deixam depositados, muitas vezes, seus bilhetes de identidade, nas bases militares, próximas da floresta, antes de entrarem na mata.

Eles advertem, portanto, esses militares, que do seu lado, têm de respeitar ordens da sua hierarquia".