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Camarões: correspondente da RFI perto da liberdade

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Ahmed Abba, correspondente da RFI nos Camarões. © RFI

A justiça dos Camarões pronunciou hoje a sua sentença sobre a situação do correspondente da RFI naquele país, Ahmed Abba, preso desde 2015 sob a suspeita de colaborar com o grupo jihadista Boko Haram. Embora este veredicto não o ilibe de todas as acusações que pesavam sobre ele, poderá resultar na sua libertação em breve.


Detido em Julho de 2015 quando estava a efectuar uma reportagem sobre as actividades de Boko Haram no norte do país, o jornalista foi designadamente acusado de "branqueamento de actos de terrorismo" e foi condenado em primeira instância no ano passado a uma pena de 10 anos de prisão.

No âmbito de um recurso desta decisão, o tribunal militar de Yaoundé absolveu hoje o nosso colega desta acusação mas condenou-o a 24 meses de prisão pela "ausência de denúncia de actos de terrorismo", o que coloca de facto Ahmed Abba na eventualidade de ser solto, uma vez que já cumpriu 29 meses de prisão.

Esta notícia foi acolhida com alívio por parte da Radio France Internationale que, em comunicado, saudou esta decisão judicial, realçando que "as audiências em segunda instância permitiram demonstrar que o dossier de acusação estava vazio". A direcção da radio acrescentou que "Ahmed Abba apenas fez o seu trabalho de jornalista".

Reagindo também a esta decisão, a Repórteres Sem Fronteiras -RSF- que se tinha igualmente mobilizado a favor do correspondente da RFI saudou este epílogo mas sublinhou que "isto permanece um veredicto ténue na medida em que o jornalista não foi ilibado do conjunto de acusações que pesavam sobre ele e que ele vai ter de pagar encargos judiciais exorbitantes para recuperar a liberdade, ou seja, cerca de 83 mil Euros".

"Ahmed Abba nunca deveria ter sido preso" rematou ainda a RSF recordando que de acordo com o seu último relatório sobre a liberdade imprensa, os Camarões ocupam o 130° lugar sobre 180 países.