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MSF acusa UE de alimentar indústria do sofrimento na Líbia

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MSF acusa UE de alimentar indústria do sofrimento na Líbia Patrick Bar / SOS Méditerranée

Médicos Sem Fronteiras denunciam maus tratos a migrantes na Líbia com a conivência da União Europeia. Numa carta aberta hoje publicada a ong acusa os governos europeus de alimentarem a indústria do sofrimento na Líbia.


A organização não-governamental Médicos Sem Fronteiras publicou esta quinta-feira uma carta aberta aos governos europeus. Um documento sobre os maus tratos infligidos na Líbia as migrantes e refugiados que tentam atravessar o mar Mediterrâneo. A MSF acusa Bruxelas de “alimentar um sistema criminoso de abusos”.

“O que migrantes e refugiados estão sofrendo na Líbia deveria chocar a consciência colectiva de cidadãos e líderes políticos da Europa. Obcecados pelo objectivo simplista de manter pessoas fora da Europa, financiamentos europeus estão ajudando a impedir que barcos saiam de águas líbias. (…) A detenção de migrantes e refugiados na Líbia é algo abjecto. (…) Um negócio promissor de sequestros, torturas e extorsão. Os governos europeus optaram por manter seres humanos nessa situação”, acusa Joanne Liu, presidente da MSF Internacional, na sua carta aberta.

A MSF visitou vários centros de detenção de Trípoli, “testemunhando de um esquema de prisões arbitrárias, extorsões, abusos físicos e privação de serviços básicos”. A organização acrescenta que os centros de detenção oficiais “são apenas a ponta do iceberg”. “As pessoas simplesmente são tratadas como um produto a ser explorado. Colocadas em salas imundas, escuras e sem qualquer ventilação, tendo que viver uma em cima da outra”.

Para a MSF, os líderes europeus são cúmplices desta situação e não deviam estar satisfeitos com a redução de número de pessoas a tentar atravessar o Mediterrâneo: “considerar isso um sucesso demonstra, no mínimo, pura hipocrisia, e, no pior dos casos, uma cumplicidade cínica na estratégia organizada de reduzir seres humanos a mercadorias na mão de traficantes” denuncia a carta aberta.

No mesmo documento, a presidente da MSF Internacional questiona se “nos esforços de conter o fluxo, permitir que pessoas sejam empurradas para violações, torturas e escravidão na mão de criminosos é um preço que os governos europeus estão dispostos a pagar?”.

Susana de Deus, directora-geral MSF-Brasil 07/09/2017 ouvir