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Quénia: Odinga rejeita vitória de Kenyatta

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Presidente reeleito Uhuru Kenyatta (à esquerda) e líder da oposição Raila Odinga. TONY KARUMBA, SIMON MAINA / AFP

Presidente Uhuru Kenyatta, 55 anos, reeleito com 54,2% de votos nas eleições gerais de 8 de Agosto, apela a oposição, que rejeita a sua vitória a recorrer à justiça para contestar os resultados.


Esta terça-feira (15/08) o líder da oposição Raila Odinga que obteve 44,7% de votos vai divulgar a sua estratégia para contestar a eleição de 8 de Agosto, que reconduz o presidente cessante Uhuru Kenyata para um novo mandato de 5 anos e jà avisou que não vai recorrer ao Supremo Tribunal, como o fez em vão em 2013, quando denunciou fraude na primeira eleição de Uhuru Kenyata.

Raila Odinga insiste na manipulação do sistema electrónico de transmissão e contagem dos votos e convocou para hoje uma greve nacional, que parece não estar a ser muito seguida, depois de ontem, no seu primeiro comício desde a proclamação dos resultados, ter prometido que não se renderá até que seja reconhecida a sua vitória nas eleições presidenciais.

União Africana, União Europeia e Reino Unido, ONU e Estados Unidos consideraram o escrutínio justo, felicitaram Kenyatta pela vitória e pediram a Raila Odinga que aceite os resultados.

O secretário geral da ONU António Guterres instou Raila Odinga a enviar uma mensagem aos seus apoiantes no sentido de se absterem de recorrer à violência.

A violência pos eleitoral causou segundo a Comissão de Direitos Humanos do Quénia pelo menos 24 mortos, dos quais 11 depois da proclamação dos resultados, sobretudo nos bairros da lata de Nairobi e em Kisumi, bastião da oposição no oeste do país, que denuncia uma centena de mortos, incluindo 10 crianças menores, mas até à data não foram apresentadas provas.

O ministro do interior Fred Matiang'i fala de "rumores e mentiras" e nega que haja vítimas mortais ou agentes que tenham disparado contra os manifestantes e reitera que "não houve nem há protestos".

Paira de novo o espectro da violência pós-eleitoral em 2007/2008 quando Raila Odinga contestou a vitória de Mwai Kibaki, que em dois meses causou 1.100 mortos e 600 mil deslocados.

As eleições no Quénia têm sempre em pano de fundo divisões tribais, que opoem as etnias maioritária dos kikyuo do Presidente Uhuru Kenyata, filho do fundador da Nação Jomo Kenyatta e sua aliada a etnia kalenjin do vice-presidente William Ruto, ambas se opoem à etnia luo à qual pertence Raila Odinga e que desta vez parece ser a única mobilizada na contestação dos resultados eleitorais, que pela quarta vez atribuem derrota ao seu líder Raila Odinga que com 72 anos não deverá voltar a candidatar-se.