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Eritreia África Independência

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Eritreia assinala 25 anos de independência

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© REUTERS/Thomas Mukoya

O legado italiano marcou a Eritreia, mas esta pequena nação no Corno de África ficou refém de uma época em que integraram a Etiópia. Em 1951, depois da Segunda Guerra Mundial as Nações Unidas decidiram anexar a Eritreia à Etiópia. A guerra pela independência prolongou-se durante 30 anos e foi alcançada em 1991.


A Eritreia assinala hoje uma data importante, os 25 anos da independência resultante de uma longa aspiração por parte substancial da população que lutou desde o início dos anos 60 pela independência.

O especialista português do Corno de África, Manuel João Ramos, descreve uma história complicada entre a Etiópia e Eritreia que fazem parte da mesma área cultural, sobretudo no norte da Etiópia.

"Desde que os italianos ocuparam a Eritreia - na altura, por cedência do Rei etíope - no final do século XIX desenvolveu-se, de facto, uma identidade cultural e nacional muito forte que com a anexação da Eritreia em 1963 por parte de Haile Selassie levou a uma luta armada que só terminou com o final já não do regime de Haile Selassie, mas com o regime comunista do Derg, na Etiópia".

Uma guerra entre irmãos

A última guerra de trincheiras do século XX representou uma espécie de sacrifício simbólico da separação entre os dois países destaca Manuel João Ramos. "Por parte dos eritreus há pouca vontade de pensar sequer em federação com a Etiópia. Por parte de muitos etíopes, pelo contrário, há uma aspiração que faz parte do discurso político. Essa aspiração com a Eritreia e, eventualmente, uma federalizarão até por razões não apenas políticas e nacionalistas ou de identidade, mas por razões económicas."

Etiópia é um país fechado ao Mar Vermelho

"A Eritreia é a saída natural da Etiópia para o Mar Vermelho e, neste momento, a Etiópia é um país fechado ao Mar Vermelho com grande sacrifício das suas potencialidades de desenvolvimento económico".

Eritreia, o país africano de onde saem mais refugiados para a Europa

Para o especialista português do Corno de África "é preciso notar que o governo eritreu teve uma iniciativa complicada que foi tornar-se membro da Liga Árabe. A identidade árabe da Eritreia é uma identidade muito artificial e que tem servido para que a Eritreia se defenda, nomeadamente, da Etiópia. Os refugiados eritreus é uma situação muito mais complicada porque é possível adquirir um estatuto de refugiado, nomeadamente, na Europa ou nos Estados Unidos da América por razões de perseguição política. De certa maneira é fácil fazê-lo para os eritreus. É muito mais difícil fazê-lo para o etíopes. É muito difícil distingui um etíope de um eritreu - sobretudo um etíope do norte. Uma parte importante dos refugiados eritreus podem não ser refugiados eritreus e podem ser migrantes económicos etíopes que falam a mesma língua, que têm a mesma aparência física e sem identificação é muito difícil de distinguir".

"O facto de haver um regime que é condenado por uma parte substancial dos países, por ser efectivamente um regime militar ditatorial, tem levado a uma grande fuga de pessoas por razões políticas ou económicas. Muitos etíopes reclamam-se de eritreus para fugir às condições de pobreza muito grandes na Etiópia, que é reconhecida como um país, podemos por as aspas todas que quisermos, democrático e onde as eleições são supostamente livres", descreveu o especialista português do Corno de África, Manuel João Ramos.

Especialista português do Corno de África, Manuel João Ramos 24/05/2016 ouvir