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Pedofilia França Igreja Tribunal Padre Agressão Sexual

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Cardeal de Lyon perante justiça por encobrir padres pedófilos

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O Cardeal Philippe Barbarin, Arcebispo de Lyon, antes da sua audiência pelo Tribunal. Lyon.07 de Janeiro de 2019 REUTERS/Emmanuel Foudrot

O cardeal Philippe Barbarin, arcebispo de Lyon, no sudeste da França, compareceu nesta segunda-feira diante do tribunal para responder pelos abusos de um padre da sua diocese, que reconheceu ter agredido sexualmente várias crianças. Conhecido pelas suas posições conservadoras, Barbarin negou ter encoberto os actos de pedofilia do referido padre.


"Nunca procurei esconder e muito menos encobrir esses factos",eis o que declarou aos juízes, o cardeal Philippe Barbarin, sobre os actos de pedofilia de Bernard Preynat, padre da sua diocese em Lyon.

Arcebispo de Lyon, desde 2002, actualmente com 68 anos, Philippe Barbarin reconheceu que nem sempre teve as palavras exactas para condenar as agressões sexuais cometidas por membros da Igreja contra crianças, e para as circunstâncias, pelo padre da sua diocese, Bernard Preynat.

Tido como uma figura de proa da ala conservadora da Igreja em França, o clérigo pronunciou-se em 2012 e 2013 contra o casamento de pessoas do mesmo sexo.

Em 2016 , o cardeal Barbarin, desencadeou a polémica, ao afirmar durante uma assembleia episcopal que "Graças a Deus, a maioria dos factos de abusos sexuais eram limitados".

O Primaz da Gália e cinco membros da diocese de Lyon, respondem diante da justiça até quarta-feira, por não terem denunciado os actos de pedofilia cometidos contra jovens escuteiros, pelo padre Bernard Preynat, entre 1986 e 1991.

Em 2016, o Ministério Público tinha arquivado o referido escândalo, mas os autores da denúncia, decidiram dar início a um processo de citação directa dos acusados diante do tribunal.

De acordo com os denunciantes, Monsenhor Barbarin tivera conhecimento de agressões sexuais cometidas pelo padre Preynat nos anos dois mil, que o levaram a convocar o sacerdote em 2010.

O Cardeal Barbarin é acusado, pelos autores da denúncia, de ter mantido o padre Preynat em contacto com crianças até 2015, data a partir da qual um antigo escuteiro depositou uma queixa contra o sacerdote.