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Emmanuel Macron: destino comum entre Europa e África

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O Presidente Macron durante o seu discurso diante do Congresso (que reúne a Assembleia Nacional e o Senado) em Versalhes a 9 de Julho de 2018 REUTERS/Charles Platiau/Pool

Numa altura em que a sua política é cada mais criticada por vários sectores da sociedade francesa, tanto políticos como civis, o Presidente Emmanuel Macron reuniu o Congresso francês em Versalhes, para explicar a sua governação e anunciar novas medidas.


Macron,cuja política é considerada injusta por uma maioria de franceses, consagrou uma parte da sua intervenção a política social, bem como à problemática das migrações que afecta a União Europeia.

Macron sublinhou que o destino da Europa está históricamente ligado à África.

Um ano depois da sua eleição à presidência da República,Emmanuel Macron defendeu perante o Congresso francês reunido em Versalhes, a sua política e o seu pacote de reformas,assim  como prometeu dar um cunho mais social às medidas que serão tomadas pelo seu executivo.

Reconhecendo não poder fazer tudo, nem ter sucesso em tudo o que faz, o chefe de Estado francês, procurou sobretudo desfazer a imagem de Presidente dos ricos que lhe tem sido dada pelos seus opositores.

Emmanuel Macron realçou a importância dos empresários na criação das riquezas e afirmou o seu apego ao progresso social e aos interesses nacionais. Ele sublinhou que não há redistribuição sem criatividade e produção, mas várias camadas da população continuam a referir-se a sua política como injusta.

Durante o seu discurso de uma hora e meia, Macron anunciou aos franceses que a sua prioridade em 2019 será a de construir o Estado Providência do século XXI ,que será baseado num novo contrato social, de forma que ele se torne emancipador, universal, eficaz e responsabilizador

Num mundo em plena metamorfose e repleto de incertezas,o Presidente francês, reiterou o seu apelo à cooperação entre os Estados europeus, para que sejam enfrentados os desafios contemporâneos,designadamente a crise migratória, sem recorrer a emoções nem a simplismos.

Emmanuel Macron fez alusão aos jovens africanos, provenientes sobretudo do Golfo da Guiné e da região, que confrontados com o desespero, abandonam os seus países e tentam emigrar para a Europa de forma arriscada.

Presidente Macron diante do Congresso em Versailles 09 07 20185 09/07/2018 ouvir

A juventude que abandona actualmente África para correr imensos riscos e cuja maioria não tem direito ao asilo. É a juventude do desespero. Uma juventude para a qual não há um projecto.

A França associada à União Europeia deve reconstruir os termos de uma parceria. Porque esta história contemporânea não nos lembra senão um facto, que nós não somos uma ilha e temos um destino comum... (aplausos).

A nossa segunda resposta passará por um reforço das nossas fronteiras comuns na Europa e por uma política de responsabilidade e de solidariedade no seio da Europa.

Todas as políticas nacionalistas de curto prazo,não resolverão de forma alguma a crise migratória. As mesmas criarão problemas aos outros, provocarão divisões...( aplausos ).

A França nunca aceitará as soluções simplistas que alguns propõem, que consistem na deportação através da Europa, para colocar, Deus sabe, em tal e tal acampamento, nas suas fronteiras, no seu interior ou algures, os estrangeiros que não queremos aqui....( aplausos ) .

 Emmanuel Macron .

O chefe de Estado francês afirmou que para enfrentar o medo, a insegurança cultural e civilizacional, a França deve convencer os seus parceiros europeus a partilhar um novo projecto para a Europa com base, numa política de defesa comum, na protecção dos assalariados, bem como na defesa dos interesses comuns no plano comercial.

Referindo-se ao seu projecto sobre a União Europeia,apresentado em Paris no mês de Outubro de 2017, Emmanuel Macron destacou a necessidade de uma Europa mais soberana, mais unida, mais democrática, impulsionada por uma coligação de vontades e ambições, não paralisada pela unanimidade de alguns.

O Presidente francês considerou que o futuro da Europa será definido por uma fronteira,que separará os progressistas dos nacionalistas